Não Minto (Sidney Wanderley)



‘É repousante achar-se entre mulheres bonitas.
Por que sempre mentir sobre tais coisas?’
- segredou-me em certa página Ezra Pound.
Entanto eu, quando entre elas
- desengonçada jiboia, pé e perna
Que no plano se projetam
Para a topada e a queda –
Assusto-as, ou assusto-me demasiado.


Não minto, por minha mãe que não minto.

‘É repousante palestrar com mulheres bonitas
Ainda que se fale apenas contra-sensos’
- persevera no ensino o d’Os Cantares.
Deve ser assim, intuo. Mas não consigo.
Seco suor, impávido tremor a viajarem-me
ossos, garganta.

Dai-me, Senhor, quando entre belas
A conformidade e a calma que possuem as tardes
Quando a noite as abate e a lua as enterra.


*Sidney Wanderley – Poemas Post-húmus (Coleção Viventes da Alagoas Volume 3) pag. 75 Sergasa

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A FLOR E A FONTE (Vicente de Carvalho)

Os Votos (Sérgio Jockymann)

Da Calma e do Silêncio (Conceição Evaristo)

A Reunião dos Bichos (Antônio Francisco)

Gritaram-me Negra (Victoria Santa Cruz)

Felicidade (Vicente de Carvalho)

Eu Venho de Lá... (Rita Maidana)