Cultura (Arnaldo Antunes)



O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.
 O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.


O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.
 O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.

O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.
 A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.
 O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.
 Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.

(Arnaldo Antunes in "Nome"  São Paulo. BMG Ariola Discos,1993)






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