Foto: Socorro Monteiro
Povo na beira da estrada, casa branquinha caiada,
na porta a inscrição: deus proteja essa casa e não deixe
faltar nada
nem comida nem remédio e livre nóis do inferno da fome da
sequidão
Menino
só de calção, sem camisa e sem chapéu
caminha pelas estradas com uma peteca na mão
a cara toda rajada, sem se preocupar com nada,
buchudo de pé no chão,
Um burrinho carregado, pelo dono açoitado
nas costas o suor se espalha,
e na agonia do caminho vai xotando com o velhinho
bem no meio da cangalha
No caminho tem uma cerca, mais na frente uma
cancela,
pra poder chegar no rio, tem que se passar por ela
lá está a lavadeira, com a roupa toda molhada,
dá até pra vê suas curvas bem de longe da estrada
Ao longe se ouve chocalho, tocando na capoeira,
acompanhado de berros se aproxima a cabroeira
são bodes, ovelhas, cabras
que veem em busca da água e começa a bebedeira.
Quem passar pelo sertão vai vê doutor muito mais:
vai vê criança brincando, veio e novo conversando,
as moça se perfumando e na janela ficando pra vê se
pega um rapaz.
Copyright © 2013 by Socorro Monteiro
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