A AMANTE (Emanuel Galvão)



Ela sentou-se à beira de minha cama
Inebriante perfume inquietou-me a alma
Debruçou-se com seu peso, e sua chama
E o calor de sua presença, roubou-me a calma.

Disse-me: toma meu corpo em branco
Escreve nele inteiro teu árdego desejo
Mas não mintas em teus anseios, sejas franco
Pois te cederei mais que um breve beijo.

Abriu-me suas páginas sem nenhum pudor
Então, deitei a caneta sobre suas linhas
Fiz suas vontades, que em verdades eram minhas.

Extenuado, exausto pela fatigante lavra
Pude perceber: o prazer, a solidão e a dor
Que é ter na cama por amante a palavra.

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