La fora o sol já me sorria
E o barulho dos carros e o
despertador
Convidando-me ao trabalho,
confirmaria
Que se tratava do segundo
dia
Ao terminar os lances da
escadaria
Chegando ao final do
corredor
Meu vizinho ranzinza me
reafirmaria
Que era mesmo o segundo
dia
Apenas tendo deixado a
portaria
Já escuto o barulho
estridor
Do motorista com sua
antipatia
Buzinando: é o segundo dia!
E no emprego já me
aperceberia
Do peso hereditário do
trabalhador
Envolvido com toda aquela
burocracia
Intimando-me ao ofício do
segundo dia
Logo mais em casa, onde
descansaria
Do fardo do meu entediante
labor
Minha amada, aborrecida,
me receberia
Confirmando de vez que era
o segundo dia
E o noticiário, recorrente
informaria
Os horrores do mundo em
meu televisor
Percebam, vejam que
estranha ironia
Já não se falava de
esperança no segundo dia
Parecia
que nada mais me surpreenderia...
Onde
fora parar a fraternidade e o amor
Os
sonhos, o brilho nos olhos, a euforia
Que
parecia tão distante no segundo dia?
Lembrei-me
então de todas as alegrias
Dos
abraços, do champanhe, do esplendor
Das
luzes e toda aquela pirotecnia
Que
antecederiam todos os outros dias
Pois
que um ano se edifica com sabedoria
Nos
detalhes, dia a dia, com afã de construtor.
Apesar
de, embora que... Levante-se, tente, sorria...
Que
esse é apenas o segundo dia
Sem
métrica, sem pretensão da poesia.
Caneta,
ideia, papel... Sou escritor.
Vejamos!
O que mais me caberia?
Senão
escrever, o próximo dia.
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Galvão
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Admiro as suas poesias.Tem de vir de uma pessoa sensível e inteligente. Parabéns poeta!
ResponderExcluirGratidão 🙏🏻 Bolte sempre!
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