Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

MENINO (Natália Monte)




Menino, não me olha no olho
Senão, bamba, me encolho
E mil sorrisos hei de dar,
Minhas bochechas vão corar

Menino, não me fala assim,
Teu semblante é doce,
Como tão solto fosse
Teu sorriso de marfim



Menino, teu falar é mel,
Intacto como arranha-céu,
Não te chegues tão perto,
Ou meu pulso flui incerto

Menino, teu olhar é fascínio,
Tu és fantástico, faceiro
Teu abraço mantém domínio
Sob a saudade do dia inteiro

Menino, não brinca comigo,
Não te rias, não sejas cru
Vez que sabes que és tu
Instável, intenso, perigo. 

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