A Caixa de Brinquedos (Rubem Alves)

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  A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne". Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "

MENINO (Natália Monte)




Menino, não me olha no olho
Senão, bamba, me encolho
E mil sorrisos hei de dar,
Minhas bochechas vão corar

Menino, não me fala assim,
Teu semblante é doce,
Como tão solto fosse
Teu sorriso de marfim



Menino, teu falar é mel,
Intacto como arranha-céu,
Não te chegues tão perto,
Ou meu pulso flui incerto

Menino, teu olhar é fascínio,
Tu és fantástico, faceiro
Teu abraço mantém domínio
Sob a saudade do dia inteiro

Menino, não brinca comigo,
Não te rias, não sejas cru
Vez que sabes que és tu
Instável, intenso, perigo. 

*veja mais da autora em seu blog, clicando aqui:





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