ANJO DA NOITE (Arlene Miranda)



Na penumbra lilás do cabaré
O casal se beijava abraçado.
E a menina que se fez mulher
Se entregava à volúpia do pecado.

Anjo na orgia mergulhava,
Perdida entre as luzes do salão.
Ninguém sabia o que a maltratava
Nem a angústia do seu coração.

Disfarçando a tristeza de su’alma,
Para que não lhe vissem a agonia,
A formosa boneca, sempre calma,
Àqueles homens se oferecia.

Seu rosto como pedra da estrada,
Escondia da alma desvairada
A dor que a feria num açoite.

No quarto, ante a lâmpada velada,
O anjo pedia, em plena madrugada:
“amor, quero dormir, ainda é noite!”

*Retirado do livro "Olhando Estrelas" (poesias) Maceio/2007
Copyright © 2007 by Arlene Miranda
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