Intervalo (Carlos Pronzato)

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  Te tomo da mão Respiro teu aroma de metais Ferrugem ou carmim Tua boca é uma engrenagem frenética De flores Nosso intervalo é tão curto Que as palavras voam Como pregos cintilantes Em rosas de cobre Beijos martelados no alumínio Dos teus lábios A sirene interrompe A brisa do pátio E a paisagem do teu rosto Nos devolve ao estrondo À diária exploração Do cartão de ponto. Copyright © 2021 by Carlos Pronzato All rights reserved  

ANJO DA NOITE (Arlene Miranda)



Na penumbra lilás do cabaré
O casal se beijava abraçado.
E a menina que se fez mulher
Se entregava à volúpia do pecado.

Anjo na orgia mergulhava,
Perdida entre as luzes do salão.
Ninguém sabia o que a maltratava
Nem a angústia do seu coração.

Disfarçando a tristeza de su’alma,
Para que não lhe vissem a agonia,
A formosa boneca, sempre calma,
Àqueles homens se oferecia.

Seu rosto como pedra da estrada,
Escondia da alma desvairada
A dor que a feria num açoite.

No quarto, ante a lâmpada velada,
O anjo pedia, em plena madrugada:
“amor, quero dormir, ainda é noite!”

*Retirado do livro "Olhando Estrelas" (poesias) Maceio/2007
Copyright © 2007 by Arlene Miranda
All rights reserved.

*Veja mais da autora aqui:

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