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Mostrando postagens de Abril, 2013

DESEJOS (Dulce Melo)

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Ah! Meu belo De tudo na vida o que mais quero É tê-lo um dia à vontade nos meus braços Repousando talvez do mais forte cansaço E adormecendo sob o afago dos meus dedos.

A FORÇA DO AMOR (Emanuel Galvão)

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Todos ficaram espantados porque ela trocou um atleta por mim, um franzino poeta.

MULHER PROLETÁRIA (Jorge de Lima)

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Portinari
Mulher proletária — única fábrica
que o operário tem, (fabrica filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

ANJO DA NOITE (Arlene Miranda)

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Na penumbra lilás do cabaré O casal se beijava abraçado. E a menina que se fez mulher Se entregava à volúpia do pecado.

IRRESPONSÁVEL CORAÇÃO (Emanuel Galvão)

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Preso por vontade Pode o coração querer a liberdade Mas, por ser irresponsável coração Bate lento na saudade Pois que avesso à solidão Acelera por maldade Quando da tua aproximação.

QUEM SABE ISSO QUER DIZER AMOR (Lô Borges , Márcio Borges)

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Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

AO TOCAR SEUS LÁBIOS... (Basílio Giordi)

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“Ao tocar seus lábios O tempo não só parou...

O SERTÃO TEM SEUS ENCANTOS (Socorro Monteiro)

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Foto: Socorro Monteiro
Povo na beira da estrada, casa branquinha caiada,
na porta a inscrição: deus proteja essa casa e não deixe faltar nada
nem comida nem remédio e livre nóis do inferno da fome da sequidão


Menino só de calção, sem camisa e sem chapéu
caminha pelas estradas com uma peteca na mão
a cara toda rajada, sem se preocupar com nada,
buchudo de pé no chão,

Um burrinho carregado, pelo dono açoitado
nas costas o suor se espalha,
e na agonia do caminho vai xotando com o velhinho
bem no meio da cangalha

No caminho tem uma cerca, mais na frente uma cancela,
pra poder chegar no rio, tem que se passar por ela
lá está a lavadeira, com a roupa toda molhada,
dá até pra vê suas curvas bem de longe da estrada

Ao longe se ouve chocalho, tocando na capoeira,
acompanhado de berros se aproxima a cabroeira
são bodes, ovelhas, cabras
que veem em busca da água e começa a bebedeira.

Quem passar pelo sertão vai vê doutor muito mais:
vai vê criança brincando, veio e novo conversando,
as moça se perfumando e na janela …

MINHA MULHER NÃO É FURACÃO (Fabrício Carpinejar)

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Adriana Galvão - Foto: Emanuel Galvão

Você não é um furacão. Trata-se de uma cilada masculina.
Não aceite ser nomeada desse jeito.
Representa um falso cumprimento.
Todo homem diz que a mulher é um furacão como projeção: é o que ele deseja da companhia, não é o que ela é.


Pode soar sedutor, pode sugerir passionalidade, pode sugerir fogo e charme, porém é uma armadilha.
Sua intenção não é boa.
Furacão não é convidado.
Furacão passa rápido.
Furacão é somente sexo.
Furacão é pressa.
Furacão não tem endereço, nem infância.
Furacão destrói lares, arrebenta relacionamentos.
Furacão não chora, não se arrepende de colecionar vítimas.
Furacão não pergunta duas vezes.
Furacão não volta, não cria raízes, não se despede.
Furacão é triste, solitário, assim como vulcão.
Furacão é vazio, repetitivo, rancoroso.
Furacão não deixa bilhetes, não tem recaídas.
Chamar uma mulher de furacão é uma forma machista de se expressar e impor brevidades amorosas.
Quando alguém lhe caracteriza de furacão, não está f…

A VOZ DO SOLO (Italmar Lamenha de Albertim)

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Queima sol, Esse chão sofredor; Sopra vento, Pra aliviar minha dor.

Já não sei a que vim, Se nada produzo ou crio... Será castigo pra mim, Ou apenas desafio?
Não chores tanto menina, Não tenhas mágoa de mim; Tua vaquinha morreu? Foi Deus quem quis assim.
Não tenho culpa da fome Que matou tua malhada; A árvore também está triste, Porque está desfolhada.
Se matar a minha sede Tua lágrima pudesse, Viveria na fartura Quem tanto hoje padece.
Vamos ter fé no Pai Que criou o universo; Que Ele entenda e perdoe O meu desabafo em verso.
Copyright © 2013 by Italmar Lamenha de Albertin All rights reserved.

AS HORAS (Luana Tavares)

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Sigo sem saborear as horas
À procura de algum lugar
Um lugar dentro de mim
Um lugar fora de mim
Onde possa te encontrar

NU (Emanuel Galvão)

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Disseram-me certa feita: a poesia é um crime perfeito.”                                                                                      Juliano Beck Eu quero entrar em você Não metaforicamente Mais sim loucamente Como deve realmente ser E introduzir coisa mais firme Que essa minha conversa mole...

DE POUCAS PALAVRAS (Emanuel Galvão)

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O beijo quase sempre era sem língua A língua, sinceramente, de poucas palavras As palavras, penetrantes, em meus ouvidos Dos ouvidos a alma

RÁPIDO E RASTEIRO (Chacal)

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vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida.

R (Emanuel Galvão)

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Tu dizes rotina Eu te digo ritual
Tu dizes ridículo Eu te digo romance

ENCHENTES E VAZANTES (Emanuel Galvão)

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Meu coração é uma rocha em frente ao mar Que rebenta em mim, e me faz bem e me faz mal Acentuando assim, essa sede de amar Entrego-me pois, as espumas da paixão

ORTOGRAFIA TAMBÉM É GENTE (Bernardo Soares - heteronômio de Fernando Pessoa)

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"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintática, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

E "Ô" ou "O" (Ricardo Mello)

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Se fecha bem é catota
Se abre então é patota
De novo e aperta e é gota
Outra vez solta e faz bota

As letras mudam de som
Tem muitos tons nossa voz
Seja fechada ou aberta
Elas só partem de nós

ARTE (Paulo Leminski)

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"As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. [...] Dar lucro. Não enxergam que a arte [...] é a única chance que o homem tem de vivenciar a experiência de um mundo da liberdade, além da necessidade."

CONTO DE AREIA (Romildo S. Bastos / Toninho Nascimento)

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Clara Nunes
É água no mar, é maré cheia ô
mareia ô, mareia
É água no mar...
Contam que toda tristeza
Que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos
Molhados de mar.

MENINO (Natália Monte)

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Menino, não me olha no olho
Senão, bamba, me encolho
E mil sorrisos hei de dar,
Minhas bochechas vão corar

Menino, não me fala assim,
Teu semblante é doce,
Como tão solto fosse
Teu sorriso de marfim