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Mostrando postagens de Abril, 2013

Intervalo (Carlos Pronzato)

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  Te tomo da mão Respiro teu aroma de metais Ferrugem ou carmim Tua boca é uma engrenagem frenética De flores Nosso intervalo é tão curto Que as palavras voam Como pregos cintilantes Em rosas de cobre Beijos martelados no alumínio Dos teus lábios A sirene interrompe A brisa do pátio E a paisagem do teu rosto Nos devolve ao estrondo À diária exploração Do cartão de ponto. Copyright © 2021 by Carlos Pronzato All rights reserved  

DESEJOS (Dulce Melo)

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Ah! Meu belo De tudo na vida o que mais quero É tê-lo um dia à vontade nos meus braços Repousando talvez do mais forte cansaço E adormecendo sob o afago dos meus dedos.

A FORÇA DO AMOR (Emanuel Galvão)

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Todos ficaram espantados porque ela trocou um atleta por mim, um franzino poeta.

MULHER PROLETÁRIA (Jorge de Lima)

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Portinari Mulher proletária — única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos) tu na tua superprodução de máquina humana forneces anjos para o Senhor Jesus, forneces braços para o senhor burguês. Mulher proletária, o operário, teu proprietário há de ver, há de ver: a tua produção, a tua superprodução, ao contrário das máquinas burguesas salvar o teu proprietário.  

ANJO DA NOITE (Arlene Miranda)

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Na penumbra lilás do cabaré O casal se beijava abraçado. E a menina que se fez mulher Se entregava à volúpia do pecado.

IRRESPONSÁVEL CORAÇÃO (Emanuel Galvão)

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Preso por vontade Pode o coração querer a liberdade Mas, por ser irresponsável coração Bate lento na saudade Pois que avesso à solidão Acelera por maldade Quando da tua aproximação.

QUEM SABE ISSO QUER DIZER AMOR (Lô Borges , Márcio Borges)

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Cheguei a tempo de te ver acordar Eu vim correndo à frente do sol Abri a porta e antes de entrar Revi a vida inteira

AO TOCAR SEUS LÁBIOS... (Basílio Giordi)

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“Ao tocar seus lábios O tempo não só parou...

O SERTÃO TEM SEUS ENCANTOS (Socorro Monteiro)

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Foto: Socorro Monteiro Povo na beira da estrada, casa branquinha caiada, na porta a inscrição: deus proteja essa casa e não deixe faltar nada   nem comida nem remédio e livre nóis do inferno da fome da sequidão Menino só de calção, sem camisa e sem chapéu   caminha pelas estradas com uma peteca na mão a cara toda rajada, sem se preocupar com nada,   buchudo de pé no chão, Um burrinho carregado, pelo dono açoitado nas costas o suor se espalha,   e na agonia do caminho vai xotando com o velhinho   bem no meio da cangalha No caminho tem uma cerca, mais na frente uma cancela, pra poder chegar no rio, tem que se passar por ela lá está a lavadeira, com a roupa toda molhada,   dá até pra vê suas curvas bem de longe da estrada Ao longe se ouve chocalho, tocando na capoeira,   acompanhado de berros se aproxima a cabroeira   são bodes, ovelhas, cabras   que veem em busca da água e começa a bebedeira. Quem passar pelo sertão vai vê doutor muito mais:   vai vê cr

MINHA MULHER NÃO É FURACÃO (Fabrício Carpinejar)

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Adriana Galvão - Foto: Emanuel Galvão Você não é um furacão. Trata-se de uma cilada masculina. Não aceite ser nomeada desse jeito. Representa um falso cumprimento. Todo homem diz que a mulher é um furacão como projeção: é o que ele deseja da companhia, não é o que ela é. Pode soar sedutor, pode sugerir passionalidade, pode sugerir fogo e charme, porém é uma armadilha. Sua intenção não é boa. Furacão não é convidado. Furacão passa rápido. Furacão é somente sexo. Furacão é pressa. Furacão não tem endereço, nem infância. Furacão destrói lares, arrebenta relacionamentos. Furacão não chora, não se arrepende de colecionar vítimas. Furacão não pergunta duas vezes. Furacão não volta, não cria raízes, não se despede. Furacão é triste, solitário, assim como vulcão. Furacão é vazio, repetitivo, rancoroso. Furacão não deixa bilhetes, não tem recaídas. Chamar uma mulher de furacão é uma forma machista de s

A VOZ DO SOLO (Italmar Lamenha de Albertim)

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Queima sol, Esse chão sofredor; Sopra vento, Pra aliviar minha dor. Já não sei a que vim, Se nada produzo ou crio... Será castigo pra mim, Ou apenas desafio? Não chores tanto menina, Não tenhas mágoa de mim; Tua vaquinha morreu? Foi Deus quem quis assim. Não tenho culpa da fome Que matou tua malhada; A árvore também está triste, Porque está desfolhada. Se matar a minha sede Tua lágrima pudesse, Viveria na fartura Quem tanto hoje padece. Vamos ter fé no Pai Que criou o universo; Que Ele entenda e perdoe O meu desabafo em verso. Copyright © 2013 by Italmar Lamenha de Albertin All rights reserved.

AS HORAS (Luana Tavares)

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Sigo sem saborear as horas À procura de algum lugar Um lugar dentro de mim Um lugar fora de mim Onde possa te encontrar

NU (Emanuel Galvão)

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                                     “ Disseram-me certa feita: a poesia é um crime perfeito.”                                                                                      Juliano Beck                                                Eu quero entrar em você Não metaforicamente Mais sim loucamente Como deve realmente ser E introduzir coisa mais firme Que essa minha conversa mole...

DE POUCAS PALAVRAS (Emanuel Galvão)

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O beijo quase sempre era sem língua A língua, sinceramente, de poucas palavras As palavras, penetrantes, em meus ouvidos Dos ouvidos a alma

RÁPIDO E RASTEIRO (Chacal)

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vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar. aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida.

R (Emanuel Galvão)

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Tu dizes rotina Eu te digo ritual Tu dizes ridículo Eu te digo romance

ENCHENTES E VAZANTES (Emanuel Galvão)

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Meu coração é uma rocha em frente ao mar Que rebenta em mim, e me faz bem e me faz mal Acentuando assim, essa sede de amar Entrego-me pois, as espumas da paixão

ORTOGRAFIA TAMBÉM É GENTE (Bernardo Soares - heteronômio de Fernando Pessoa)

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"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintática, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

E "Ô" ou "O" (Ricardo Mello)

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Se fecha bem é catota Se abre então é patota De novo e aperta e é gota Outra vez solta e faz bota As letras mudam de som Tem muitos tons nossa voz Seja fechada ou aberta Elas só partem de nós

ARTE (Paulo Leminski)

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"As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. [...] Dar lucro. Não enxergam que a arte [...] é a única chance que o homem tem de vivenciar a experiência de um mundo da liberdade, além da necessidade."

CONTO DE AREIA (Romildo S. Bastos / Toninho Nascimento)

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Clara Nunes É água no mar, é maré cheia ô mareia ô, mareia É água no mar... Contam que toda tristeza Que tem na Bahia Nasceu de uns olhos morenos Molhados de mar.

MENINO (Natália Monte)

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Menino, não me olha no olho Senão, bamba, me encolho E mil sorrisos hei de dar, Minhas bochechas vão corar Menino, não me fala assim, Teu semblante é doce, Como tão solto fosse Teu sorriso de marfim