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Mostrando postagens de 2012

Intervalo (Carlos Pronzato)

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  Te tomo da mão Respiro teu aroma de metais Ferrugem ou carmim Tua boca é uma engrenagem frenética De flores Nosso intervalo é tão curto Que as palavras voam Como pregos cintilantes Em rosas de cobre Beijos martelados no alumínio Dos teus lábios A sirene interrompe A brisa do pátio E a paisagem do teu rosto Nos devolve ao estrondo À diária exploração Do cartão de ponto. Copyright © 2021 by Carlos Pronzato All rights reserved  

FELIZ RENOVO (Emanuel Galvão)

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Quando você chegar Eu quero estar... Pois um dia sei que terei ido. Quando você chegar Que seja mais que outros Esperado, amado, querido Feliz.

DESEJOS... (Carlos Drummond de Andrade)

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Desejo a vocês... Fruto do mato Cheiro de jardim Namoro no portão Domingo sem chuva Segunda sem mau humor Sábado com seu amor Filme do Carlitos Chope com amigos Crônica de Rubem Braga Viver sem inimigos Filme antigo na TV Ter uma pessoa especial E que ela goste de você

AGENCIA ARS: NOTICIA FINAL DO MISTERIOSO NAZARENO: (Affonso Romano de Sant'Anna)

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URGENTE-I Noticias vindas da Palestina afirmam que, escapando à matança ordenada por Herodes, acaba de nascer ali uma criança assombrosa. URGENTE II: Os Tres Correspondendes Estangeiros presentes ao fato, um da Al-Jazeera, outro da CNN e da Estatal Chinesa estão perplexos! E a NASA pensa que o recém-nascido é um alienígena. URGENTE III: Cientistas decidiram realizar um exame do DNA do recém-nascido e encontraram aí alguns elementos que faltam na maioria dos seres humanos. URGENTE IV: Análises biocelulares do recém-nascido indicam que ele tem 2.012 anos, mas não aparenta tal idade. URGENTE V: Essa criatura des/orientadora lembra o filme com Brad Pitt- “O curioso caso de Benjamin Button”. Ele é o novo e o velho ao mesmo tempo. URGENTE VI: O menino-velho ou o velho-menino foi visto discutindo com os doutores da lei, e parece que a ONU vai convidá-lo para um pronunciamento. URGENTE VII: A excepcional criatura desapareceu depois da discussão com os sábios, não foi à ONU. Dizem q

LENDO IVO (Emanuel Galvão)

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Sinto saudades do que nunca fui, do que deixei de ser, do que sonhei e se escondeu de mim atrás da porta. (Lêdo Ivo) Ledo engano Quem acha que o conhecia Pela via da poesia. Um nome substantivo Para além do próprio Adjetivo: Ledo, Alegre, contente, satisfeito, jubiloso. Quem assim o descreveria? Que não necessita de acento, Para ser um imortal Ter seu assento na academia. Homem do mundo Com alma dos eternos viajantes Sempre de malas prontas Foi abraçar Cervantes. Quem gosta de viagens Respeita as estações Não questiona os preços Das passagens Faz uma leitura das paisagens Aproveita as novas emoções. Sabia que seu eu Estava escondido atrás da porta - E Deus a abriu Completando a esmo O verso – - Vem Ivo! Contempla A imagem de si mesmo Passeia agora em outro universo. Deixa O Ninho das Cobras A Noite Misteriosa... Adentra a porta. Quem parte deixa para traz O peso da carne e das mágoas Ledo, alegre, contente, satisfeito, jubiloso. Deixa também a aparente face de sisudo E abre

SONETO DOS VINTE ANOS (Lêdo Ivo)

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Sol Alagoano - Foto: Thiago Theo Que o tempo passe, vendo-me ficar no lugar em que estou, sentindo a vida nascer em mim, sempre desconhecida de mim, que a procurei sem a encontrar. Passem rios, estrelas, que o passar é ficar sempre, mesmo se é esquecida a dor de ao vento vê-los na descida para a morte sem fim que os quer tragar. Que eu mesmo, sendo humano, também passe mas que não morra nunca este momento em que eu me fiz de amor e de ventura. Fez-me a vida talvez para que amasse e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento, trazendo a aurora para a noite escura.

CANTIGA PARA NÃO MORRER (Ferreira Gullar)

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Quando você for se embora, moça branca como a neve, me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração.

AMADO (Vanessa da Mata)

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Como pode ser gostar de alguém E esse tal alguém não ser seu Fico desejando nós gastando o mar Pôr-do-sol, postal, mais ninguém Peço tanto a Deus Para lhe esquecer Mas só de pedir me lembro Minha linda flor Meu jasmim será Meus melhores beijos serão seus Sinto que você é ligado a mim Sempre que estou indo, volto atrás Estou entregue a ponto de estar sempre só Esperando um sim ou nunca mais É tanta graça lá fora passa O tempo sem você Mas pode sim Ser sim amado e tudo acontecer Sinto absoluto o dom de existir, Não há solidão, nem pena Nessa doação, milagres do amor Sinto uma extensão divina É tanta graça lá fora passa O tempo sem você Mas pode sim Ser sim amado e tudo acontecer Quero dançar com você Dançar com você Quero dançar com você Dançar com você

NATAL DE UM PÁRIA (Pedro Onofre)

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- Mamãe, papai Noel é mesmo um bom velhinho? Se ele em verdade existe, assim como é falado, por que não se lembrou de mim, esse enjeitado que pra calçar não tem sequer um sapatinho? E aquela pobre mãe, cabelo em desalinho, o olhar busca esconder, tristonho e marejado do pranto que verteu. Encara com cuidado o filho, preocupada em demonstrar carinho. Tenta expulsar do rosto essa expressão sombria e num sussurro diz ao filho de repente: - Se acaso ele existisse, o que lhe pediria? E a criança ao responder-lhe, incrédula sorri. - Queria que me desse, mãe, como presente. na Noite de Natal, o pai que nunca vi. Este soneto consta do livro “Poesias completas de Pedro Onofre”, lançado dia 22 de dezembro. *Veja mais do autor aqui:  

VELHA MANJEDOURA (Luciano Barbosa)

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  Noite fria e escura; céu tão triste. Tanto silêncio: as ruas estão de luto, A lua e estrelas lançam um brilho bruto, Quase parece que o viver não existe. O vento nada tinha de contente. As árvores, quietas, pareciam mortas. Das casas quase não se vêem as portas Pela falta de luz em sua frente. Quanta paz, quanta treva, quanta esperança; Palhas amontoadas tornam-se leito, Tudo no mais sublime amor é feito, Para a chegada da Vida e da Bonança. Tão Rico, mas por nos amar, fez-se pobre; Por ser luz, foi melhor nascer nas trevas; Um Rei nascido sobre secas ervas; Velha manjedoura, que local tão nobre   Que rude local: escuro e de oculta ternura, Esquecido pelo riso, sujo e apertado. Meu coração é tão qual assemelhado, Espera essa Luz Eternamente pura. Copyright © 2001 by Luciano Barbosa All rights reserved. *veja mais do autor  aqui:

DO ARQUITETO AO ARQUITETO (Emanuel Galvão)

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“E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” João 14:3 Eu te chamei Niemeyer Porque “não é a linha reta, dura, inflexível Criada pelo homem” Que te atrai Mas as linhas sinuosas “Dos rios, das nuvens no céu, da mulher” As linhas que desafiam o impossível As linhas preferidas do meu Pai.

UM BEIJO PODE DIZER TUDO (Emanuel Galvão)

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Quero decifrar sua língua Não sua palavra Um beijo pode dizer tudo E mesmo assim As insidiosas palavras rompem o silêncio Trazendo à tona a fragilidade dos significados Enquanto eu quero saber Dos novos universos Que habitam o céu Da tua boca

FEITO UM HOMEM (Emanuel Galvão)

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Eu sempre o notava Solitário e sério. Às vezes um sorriso cínico. Não sei se me amava. - Seu jeito tão etéreo - Só sei que me fitava E me deixava nua Cada vez que me olhava.

'A CORAGEM' (Norman Vincent Peale)

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                 'Tenha menos receio e mais esperança; coma menos e mastigue mais; choramingue menos e respire mais; fale menos e diga mais; odeie menos, ame mais - e todas as coisas boas serão suas.” Repare que, nele, “tenha menos receio” encabeça a lista das coisas que devemos fazer se quisermos que tudo que é bom seja nosso. Nesta vida, a coragem é uma necessidade absoluta.'

A MORTE DEVAGAR (Martha Medeiros)

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              Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições. Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

POETA... (Pinto do Monteiro)

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Poeta é aquele que tira de onde não tem, e bota onde não cabe. 

AQUARELA (Dydha Lyra)

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O caos interior, silenciosamente, denuncia: acabou. No colo, os bilros do destino jogados, rapidamente, sobre a almofada da vida, pontilhada, sem arremates, sangram sobre o linho e suas tramas. O sonho e nós, distantes e tristes, somos o desenho que persiste da doce ilusão do querer. Num vazio imenso, descolorimos nossas vidas, qual aquarela à luz contínua, esmaecendo as cores, (que juntos escolhemos um dia) sem desamor, mágoa ou dissabores! Copyright © 2012 by Dydha Lyra All rights reserved.

QUANDO SEXO NÃO É INTIMIDADE (Marla de Queiroz)

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Intimidade não se consegue numa noite de sexo. Por maior que seja a troca, o prazer, a peripécia, o orgasmo. Sexo por sexo poderá ser tão saudável quanto sexo com amor, mas não promove intimidade. A carícia de quem ama alimenta os seus campos sutis, sua alma; a carícia de quem vivencia apenas o desejo alimenta o corpo. Penetrar um corpo com amor, é ter vontade de perder-se e a confiança de que se estará seguro nesta entrega de todos os sentidos. Poderá haver tanta poesia numa relação quanto em outra, mas intimidade não. Poderá haver tanta diversão e desejo em uma como em outra, mas intimidade só se consegue com o antes e o depois em consonância com o durante. Sexo sem amor pode ser tão gostoso quanto com. Mas poder dizer um EU TE AMO sonoro com toda a força do teu coração naquele momento em que alguém se funde a você, é um orgasmo-bônus que só a intimidade proporciona... *veja mais da autora em seu blog: transFLORmar-la. Click aqui.

SOB O SIGNO DA SENSUALIDADE (Emanuel Galvão)

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Eu sou do signo de escorpião E sei que sou regida pela lua* Sou de fases Que digam os rapazes Pensem os homens Esses mesmos que por vezes Permito que me amem Mas, que sempre me consomem.

MAR SEM FIM (Emanuel Galvão)

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                                                                          Foz do rio São Francisco *para Ana & Alex                       "Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.                   Mas ninguém chama violentas às margens                          que o comprimem."                                                         Bertolt Brecht. Da nascente do colo meu Escorreu pequenininho Quando vi ele cresceu E seguiu o seu caminho. Riacho levado ele era Arteiro e cristalino Pureza, inquieta quimera Era assim o meu menino

À PRETEXTO (Juliano Beck de Oliveira)

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“A palavra oral não dá rascunho” Manoel de Barros ... não se deixe levar pelo meu verso. Não leve tão a sério a minha prosa. Não me leve a mal. Se finjo ser um bom escritor, eis mais um bom motivo. Não acredite em escritores, não os leve a sério, o que eles querem é te levar para a cama, mirar na tua pele folhas alvas e te engravidar de livros. Marques um acaso comigo e dir-te-ei, gaguejando e tímido, porém sem desviar o olhar, todas as verdades que desejas ouvir. Te falo ao pé do ouvido, suando frio e com o coração acelerado. Mas não leia a sério nenhuma palavra da minha escrita. Deixe que eu te toque com as mãos, mas jamais admita que uma só palavra minha penetre em teu ser, pois assim estará corrompida para sempre, e quem o disse foi Neruda, um mentiroso mais sincero do que eu. Conceda apenas o afago dessas calejadas mãos de operário semântico, de modo que permanecerá intacta em sua pureza de menina doce. Perdoa minhas orações, cesse aqui a leitura, vá para a cam

ELEGIA (AUGUSTO DE CAMPOS)

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Deixa que minha mão errante adentre Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre Minha América, minha terra à vista Reino de paz se um homem só a conquista Minha mina preciosa, meu império Feliz de quem penetre o teu mistério Liberto-me ficando teu escravo Onde cai minha mão, meu selo gravo Nudez total: todo prazer provém do corpo (Como a alma sem corpo) sem vestes Como encadernação vistosa Feita para iletrados, a mulher se enfeita Mas ela é um livro místico e somente A alguns a que tal graça se consente É dado lê-la Eu sou um que sabe. *ouça a música

PARA QUE LEVAR A VIDA TÃO A SÉRIO... (Bob Marley)

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Para que levar a vida tão a sério se ela é uma incansável batalha da qual   jamais sairemos vivos ?!                             

PESSOAS VÃO EMBORA... (Marla de Queiroz)

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                          Pessoas vão embora de todas as formas: vão embora da nossa vida, do nosso coração, do nosso abraço, da nossa amizade, da nossa admiração, do nosso país. E, muitas a quem dedicamos um profundo amor, morrem. E continuam imortais dentro da gente. A vida segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade... Depois nos dá aceitação, ameniza a falta trazendo apenas a lembrança que não machuca mais: uma frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico, aquela peculiaridade da pessoa. Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos. Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo. Segundos podem ser eter

AS SEM-RAZÕES DO AMOR (Carlos Drummond de Andrade)

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Eu te amo porque te amo, Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.  

HUM! (Dulce Melo)

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Quando se ama, de fato Não é preciso necessariamente o contato Basta a voz ao longe, não muito distante Excitante!

RIMAS SEM CONTEÚDO... (José Reinaldo Melo Paes)

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Palavras tontas ao vento São rimas sem conteúdo São o discurso de um mudo Que só causa desalento. Quem não tem discernimento Não escreve com magia ... Quem não tem sabedoria Não consegue se encantar. Só quem sonha e sabe amar Tem o dom da poesia.

RETRATO DA VIDA (Dominginhos, Djavan)

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Esse matagal sem fim Essa estrada, esse rio seco Essa dor que mora em mim Não descansa e nem dorme cedo O retrato da minha vida É amar em segredo Não quer saber de mim E eu vivendo da tua vida Deus no céu e você aqui A esperança é quem me abriga Esses campos não tardam em florir Já se espera uma boa colheita E tudo parece seguir Fazendo a vida tão direita Mas e você o que faz Que não repara no chão Por onde tem que passar E pisa em meu coração? O teu beijo em meu destino Era tudo o que eu queria Ser teu homem, teu menino O ser amado de todo dia. CLICK: Ouça a música!

UM CÉU NUMA FLOR SILVESTRE (Rubem Alves)

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Conhece-se a beleza dádiva dos deuses por aquilo que ela produz na alma dos homens. Quem é possuído por ela entra em êxtase: cessa o riso, cessa o choro, o pensamento pára, a fala emudece. É mística. A alma está tomada pela felicidade da tranqüilidade absoluta. Era assim que se sentia o Criador ao contemplar, ao final de cada dia de trabalho, o resultado da sua obra: “Está muito bom! Do jeito que deveria ser! Nada há de ser modificado! Amém!” (Um céu numa flor silvestre, do Quarto de Badulaques) *veja mais do autor  aqui:

'A ILUSÓRIA GRAMA VERDE DO VIZINHO' (Roseane Mendonça)

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Atualmente, eu me policio, o máximo, para utilizar as redes sociais com sabedoria e principalmente com o meu grupo diário de contato [amigos também pessoalmente]. Desta forma, evito me inebriar com a "ilusória grama verde do vizinho". Tudo na vida tem dois lados, e nós temos o livre arbítrio para escolher e aos poucos perceber o que é real e as fantasias. 

POESIA NÃO DÁ CAMISA (Claufe Rodrigues)

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Se todas as mulheres do mundo Tivessem um terço do teu perfume Deus morreria de ciúmes dos homens Porque aí não haveria mais eternidade, paraíso, Essas paisagens do amanhã. Existiria apenas o teu sorriso de hortelã Refrescando a minha boca Encharcada de saliva. Poesia não dá camisa Mas o poeta Quando tem uma musa Não precisa de blusa Vive de brisa. *Veja mais do autor   aqui:

ARTISTA (Natália Monte)

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Retrato de Françoise (1946), Pablo Picasso Não sou ourives, parnasianos, Mas sei tecer: teço teus planos Em meu tear cheio de prantos A te molhar Não sou Pandora, olimpianos, Mas de mistérios me alimento E das façanhas de todos os anos Nos quais em ti busquei alento Não sou simetria, neoclássicos, Minhas telas correm soltas como Picasso E vou deixando a cada passo O mundo ainda menos estático Artista é quem se expressa Com a liberdade de um condor Tamanha autenticidade dessa, Voa alto aonde quer que for E artista hei de ser, Até não mais respirar Oscilando entre céu e terra Para quiçás, assim, poder voar. Copyright © 2012 by Natália Monte All rights reserved. * veja mais da autora  aqui:

AGORA JAZ (Marla de Queiroz)

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Eretas tuas palavras, imponente teu discurso viril todo o teu porte. E o tempo estendido empregado em discorrer sobre as tuas qualidades e sobre o meu decote. Foi forte a sedução desse teu corpo quente, pegada obstinada. A argúcia e a certeza de que eu era a tua presa adequada. Mas bem na hora exata da entrega insensata em que me fiz constante, fiel àquele instante... Tua fala feito faca soberba, inesperada. Desisto na hora certa mesmo te parecendo errada: pois transo com pessoas, pra estas eu me entrego. Não trepo com seus egos. *veja mais da autora aqui:

TAPETE (Mauro Fabiani)

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Senhora do riso largo que abocanha o meu desejo, desejo de ser bem recebido por um tapete de boas vindas avermelhado, sua língua é este tapete mágico que me levaria ao céu da sua boca, céu das mil e uma noites, noites de um beijo tão sonhado Sua língua, tapete róseo encarnado, molhado, deixa-me com água na boca, maravilhado *veja mais do autor  aqui: Esta obra está licenciada sob uma  Licença Creative Commons . Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Mauro Fabiani). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

NÃO LEVE FLORES (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes)

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Não cante vitória muito cedo, não. Nem leve flores para a cova do inimigo, que as lágrimas do jovem são fortes como um segredo: podem fazer renascer um mal antigo. Tudo poderia ter mudado, sim, pelo trabalho que fizemos - tu e eu. Mas o dinheiro é cruel e um vento forte levou os amigos para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos, e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não. Palavra e som são meus caminhos pra ser livre, e eu sigo, sim. Faço o destino com o suor de minha mão. Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa e não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza. - Sempre é dia de ironia no meu coração. Tenho falado à minha garota: - Meu bem, é difícil saber o que acontecerá. Mas eu agradeço ao tempo. o inimigo eu já conheço. Sei seu nome, sei seu rosto, residência e endereço. A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá. *ouça a música

EPITÁFIO (Sérgio de Britto Álvares Affonso)

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FOTO: Emanuel Galvão Devia ter amado mais Ter chorado mais Ter visto o sol nascer Devia ter arriscado mais E até errado mais Ter feito o que eu queria fazer... Queria ter aceitado As pessoas como elas são Cada um sabe a alegria E a dor que traz no coração... O acaso vai me proteger Enquanto eu andar distraído O acaso vai me proteger Enquanto eu andar... Devia ter complicado menos Trabalhado menos Ter visto o sol se pôr Devia ter me importado menos Com problemas pequenos Ter morrido de amor... Queria ter aceitado A vida como ela é A cada um cabe alegrias E a tristeza que vier... O acaso vai me proteger Enquanto eu andar distraído O acaso vai me proteger Enquanto eu andar... Devia ter complicado menos Trabalhado menos Ter visto o sol se pôr... *veja que clipe maravilho desta música

TENTE OUTRA VEZ (Raul Seixas)

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Veja! Não diga que a canção Está perdida Tenha fé em Deus Tenha fé na vida Tente outra vez!... Beba! (Beba!) Pois a água viva Ainda tá na fonte (Tente outra vez!) Você tem dois pés Para cruzar a ponte Nada acabou! Não! Não! Não!... Oh! Oh! Oh! Oh! Tente! Levante sua mão sedenta E recomece a andar Não pense Que a cabeça agüenta Se você parar Não! Não! Não! Não! Não! Não!... Há uma voz que canta Uma voz que dança Uma voz que gira (Gira!) Bailando no ar Uh! Uh! Uh!... Queira! (Queira!) Basta ser sincero E desejar profundo Você será capaz De sacudir o mundo Vai! Tente outra vez! Humrum!... Tente! (Tente!) E não diga Que a vitória está perdida Se é de batalhas Que se vive a vida Han! Tente outra vez!... * ouça a música 

É GRAÇA DIVINA (Helder Câmara)

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É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca.

DE MIM E DAS COISAS (Dydha Lyra)

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Essa solidão, das coisas e de mim, me angustia. Desde a falta das cordas para o violão, ao papel amarelado sem palavras, à compoteira sobre a mesa posta, inusitada. Ah, as ruas solitárias e suas sombras, os portos à espera de navios, as almofada sem desenhos e os bilros sem a rendeira! Ah, sei lá! Todas essas coisas, essas besteiras que povoam a vida, que incendeiam o estático momento, que norteiam o viver, nas ações/reações. São, assim, sobremaneira: o espaço tênue entre a luz e a sombra, o vazio entre o copo e a bebida, a proximidade entre a morte e a vida. O odor, a cor da rosa, a pálida margarida. Mãos postas sem oração, o exílio dos loucos na solidão, os laços que apertam o coração, as saudades das pessoas queridas, o corte, as partes divididas, a inesperada rachadura na parede. A busca, o encontro. A dolorosa despedida, que amordaça e cala o meu grito, silenciando em mim a própria vida! Copyright © 2012 by Dydha Lyra All ri

A FLOR E A FONTE (Vicente de Carvalho)

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"Deixa-me, fonte!" Dizia A flor, tonta de terror. E a fonte, sonora e fria, Cantava, levando a flor. "Deixa-me, deixa-me, fonte! " Dizia a flor a chorar: "Eu fui nascida no monte... "Não me leves para o mar". E a fonte, rápida e fria, Com um sussurro zombador, Por sobre a areia corria, Corria levando a flor. "Ai, balanços do meu galho, "Balanços do berço meu; "Ai, claras gotas de orvalho "Caídas do azul do céu!... Chorava a flor, e gemia, Branca, branca de terror, E a fonte, sonora e fria Rolava levando a flor. "Adeus, sombra das ramadas, "Cantigas do rouxinol; "Ai, festa das madrugadas, "Doçuras do pôr do sol; "Carícia das brisas leves "Que abrem rasgões de luar... "Fonte, fonte, não me leves, "Não me leves para o mar!... " As correntezas da vida E os restos do meu amor Resvalam numa descida Como a da fo

CONSOLO NA PRAIA (Carlos Drummond de Andrade)

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Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão. Algumas palavras duras, em voz mansa, te golpearam. Nunca, nunca cicatrizam. Mas, e o humor? A injustiça não se resolve. À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros. Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas. Estás nu na areia, no vento... Dorme, meu filho. *ouça o poema  aqui:

DISTRIBUIÇÃO DA POESIA (Jorge de Lima)

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Mel silvestre tirei das plantas, sal tirei das águas, luz tirei do céu. Escutai, meus irmãos: poesia tirei de tudo para oferecer ao Senhor. Não tirei ouro da terra nem sangue de meus irmãos. Estalajadeiros não me incomodeis. Bufarinheiros e banqueiros sei fabricar distâncias para vos recuar. A vida está malograda, creio nas mágicas de Deus. Os galos não cantam, a manhã não raiou. Vi os navios irem e voltarem. Vi os infelizes irem e voltarem. Vi homens obesos dentro do fogo. Vi ziguezagues na escuridão. Capitão-mor, onde é o Congo? Onde é a Ilha de São Brandão? Capitão-mor que noite escura! Uivam molossos na escuridão. Ó indesejáveis, qual o país, qual o país que desejais? Mel silvestre tirei das plantas, sal tirei das águas, luz tirei do céu. Só tenho poesia para vos dar. Abancai-vos, meus irmãos.

QUADRO (Edna Lopes)

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Um Homem e seu Cão passeiam na tarde. Caminham lado a lado integrados à paisagem da cidade. Passos sincronizados, elegantes, num clima da grande camaradagem, alegria e descontração. Mãos firmes, corda retesada, olhar atento. Volta e meia a voz do homem se sobrepõe suavemente conduzindo a coleira. O olhar do cão é de incondicional amor humano O olhar do Homem é de inconfundível amor canino. Serão felizes até que a morte os separe... *veja mais da autora  aqui:

METADE (Oswaldo Montenegro)

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Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim é o que eu grito Mas a outra metade é silêncio.

AMOR... RESPEITO... & LIBERDADE (Kali Mascarenhas)

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Aquilo que existe em mim e faz parte de mim... pode ser transformado...  se eu quiser... Aquilo que é do outro... só pode ser transformado por ele... e será compreendido e aceito por mim... dentro dos meus limites... se existir respeito... Posso falar ao outro como me sinto em relação ao que ele faz ou diz... se houver liberdade... Não posso afirmar: “Aquilo que o outro fez ou disse me feriu...” Eu é que me feri com AQUILO que ele fez ou disse... tenho opções...  Eu sou dono das minhas emoções... sensações e sentimentos... Também... das minhas atitudes... pensamentos e palavras ! maravilha... Não é coerente dizer que fiz algo para alguém... só porque alguém fez isso comigo primeiro... Se eu agisse assim... eu seria apenas resposta e eco... sem vida... É mais valioso optar por agir ao invés de apenas reagir... É mais sensato perceber que sou dono das minhas ações... e se faço algo... sou o responsável por isso... tenho escolhas... Reconheço que as rédea