
No dia em que os anjos caírem em si
(algum tempo antes de Jesus voltar)
já haverei de estar com Salvador Dali
a ler Baudelaire nos jardins de Alá. . .
Não há inferno aqui . . . nem acolá!
E ‘fogo eterno’ é o meu (anote aí)!
No Além, sei muito bem que mal não há
E eu lá, só vou colher o que escolhi. . .
Do amor que dei dos versos que escrevi
da paz que semeei . . . farei um chá
e brindarei á tudo o que vivi
junto dos meus (e Deus nos louvará)
De quem ficar não sei o que será. . .
Talvez o mundo acabe em frenesi. . .
Quem sabe continue como está. . .
Ou mude pra melhor (como eu previ)!
Só sei que nada sei . . . mas, e daí?
Se um dia saberei . . . quem saberá?
Quem sabe eu já sabia e me esqueci. . .
(Acho que eu sempre soube) . . . E quem dirá
se era verdade tudo o que menti
se era mentira o que fingi jurar
ou se o que não jurei e nem fingi
alguém jurou, fingiu no meu lugar?
Os erros (que jamais admiti)
já corrigi . . . não tenho o que pagar
E os dons que nunca pude revelar
em ‘finas poesias’ diluí. . .
Eu vim, vi e venci . . . Daqui pra lá
me vou sem blá blá blá nem mimimi. . .
Só deixarei saudade . . . c’est la vie!
E os meus poemas, quem viver, lerá!
PAULO MIRANDA BARRETO
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