Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

A Quatro (Remo Sales)


Uma folha A4
Quantos caracteres cabem aqui dentro?
Será que alguém já pensou nisso?
Quantos pensamentos cabem aqui,
Neste espaço limitado?
Pensamentos são limitados?
Não, com certeza não.
Gostaria de poder registrá-los
Tão logo eles surgissem,
Frutificassem.
Usar um espaço tão limitado
Como esse A4
Tem de ser bem ponderado.
De outro modo,
Escrever, escrever, escrever
Sem ter nada para dizer
É melhor emudecer.
O silêncio também pode dizer muito,
Isso é o que dizem por aí.
Se assim o fosse uma folha em branco
Seria um belo texto.
A candura de uma folha
Sem nenhum outro contraste
Pode sim ser sinônimo de excesso.
Excesso de falta de pensamentos, de palavras
Ou de tempo.

Copyright © 2018 by Remo Sales
All rights reserved.


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