Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Outro Natal (Paulo Miranda Barreto)



outro Natal se passou
igual a outros iguais. . .
’Jesus nasceu, sofreu, ressuscitou
deixou-nos sua Luz . . . não voltou mais’

faz muito tempo . . . e, o que se transformou?
ainda guerreamos . . . pela paz . . .
não nos amamos mais do que Ele amou . . .
seguimos egoístas . . . imorais

alheios às Lições que Ele ensinou. . .
e cheios desse orgulho contumaz
que o Cristo, claramente condenou . . .
(por bem saber o mal que ele nos faz)

em nossos corações . . . o que vingou?
o amor de Deus? o fel de Satanás?
após dois mil Natais . . . nada mudou
(seguimos libertando . . . Barrabás).


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*Ilustração de Pawel Kuczynski

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