Nascido em Maceió/Alagoas, quis a vida me levar, me
alfabetizar e me criar na Ponta da Praia/Santos/São Paulo. Cresci como aqueles
meninos que moram no “Sul” de um Brasil que me diziam que era dividido em
somente duas regiões.
Depois a vida mudou de ideia e me levou de volta pro “Norte”. E nessa volta pra
casa, fui recebido por Fabiano (Graciliano Ramos), Severino (João Cabral de
Melo Neto) e pela dupla Chicó e João Grilo (Ariano Suassuna). O quarteto me deu
logo uma tapa tão bem dada que aprendi num instante a chamar porrada de lapada.
E aprendi a berrar aos outros: Norte não! NORDESTE!
Foi num almoço de domingo, na casa do meu avô Tó, que eu peguei emprestado
“Vidas Secas”, “Morte e Vida Severina” e “Auto da Compadecida”. E já se foram
quase 15 anos daqueles dias em que esses três livros fizeram eu me
(re)conhecer.
Já faz um tempo que Graciliano foi brincar com baleia (1953) e que João Cabral
terminou sua jornada beirando o rio (1999). Agora foi a vez de Ariano, que
encontrou a pouco com a sua Compadecida.
Dos três, a morte de Ariano é a que estou vendo. E vivendo.
Em nome do mestre que hoje se foi, agradeço demais aos outros dois. Estes três
nordestinos me fizeram ser. Ser-tão!
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