Inevitável (Paulo Miranda Barreto)



Coloquei palavras na boca da noite
Sussurrei mentiras na orelha dos livros
Conversei com plantas, retratos, paredes. . .
e roubei de Deus uns dons subversivos

Caminhei nas nuvens com meus pés de vento
Bebi oceanos, fumei nevoeiros
e desapontei ponteiros de relógio
por matar meu tempo . . . com versos certeiros

Não ganhei o dia, nem movi o monte
mas juro . . . delirei a cada letra
aliterando as linhas do horizonte. . .
rimando a luz até domar o medo. . .

Olhei os lírios do campo
Contei estrelas, segredos
Cortei pulsos, fios e dedos. . .
Errei, conheci verdades. . .

Caí do céu noutro mundo
Vi pra crer, quase não cri . . .
Ousei escapulir . . . Pulei um muro
Revi meu passado, previ meu futuro
e dei-me de presente um ‘Bem Maior’

Fui muitas vezes dessa pra melhor. . .
-garanto que ser eu nunca foi fácil-
fui sempre o ‘menos lúcido’ no hospício
e nunca o ‘mais benquisto’ no palácio. . .

fui fundo, fiz chover, salvei uns santos
e devo admitir . . . nem foram tantos
mas, tudo bem -ninguém merece a Graça-
Passei por tudo e sei que tudo passa. . .

Não pedirei perdão e nem licença. . .
A recompensa é sempre dispensável
Indispensável mesmo é a esperança

Eu imagino o inimaginável
e em paz a minha paz nunca descansa. . .
‘’Quando eu crescer, eu quero ser criança’’
Serei. . . Eu sei. . . É certo . . . e inevitável.

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