Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Inevitável (Paulo Miranda Barreto)



Coloquei palavras na boca da noite
Sussurrei mentiras na orelha dos livros
Conversei com plantas, retratos, paredes. . .
e roubei de Deus uns dons subversivos

Caminhei nas nuvens com meus pés de vento
Bebi oceanos, fumei nevoeiros
e desapontei ponteiros de relógio
por matar meu tempo . . . com versos certeiros

Não ganhei o dia, nem movi o monte
mas juro . . . delirei a cada letra
aliterando as linhas do horizonte. . .
rimando a luz até domar o medo. . .

Olhei os lírios do campo
Contei estrelas, segredos
Cortei pulsos, fios e dedos. . .
Errei, conheci verdades. . .

Caí do céu noutro mundo
Vi pra crer, quase não cri . . .
Ousei escapulir . . . Pulei um muro
Revi meu passado, previ meu futuro
e dei-me de presente um ‘Bem Maior’

Fui muitas vezes dessa pra melhor. . .
-garanto que ser eu nunca foi fácil-
fui sempre o ‘menos lúcido’ no hospício
e nunca o ‘mais benquisto’ no palácio. . .

fui fundo, fiz chover, salvei uns santos
e devo admitir . . . nem foram tantos
mas, tudo bem -ninguém merece a Graça-
Passei por tudo e sei que tudo passa. . .

Não pedirei perdão e nem licença. . .
A recompensa é sempre dispensável
Indispensável mesmo é a esperança

Eu imagino o inimaginável
e em paz a minha paz nunca descansa. . .
‘’Quando eu crescer, eu quero ser criança’’
Serei. . . Eu sei. . . É certo . . . e inevitável.

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