Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

Inevitável (Paulo Miranda Barreto)



Coloquei palavras na boca da noite
Sussurrei mentiras na orelha dos livros
Conversei com plantas, retratos, paredes. . .
e roubei de Deus uns dons subversivos

Caminhei nas nuvens com meus pés de vento
Bebi oceanos, fumei nevoeiros
e desapontei ponteiros de relógio
por matar meu tempo . . . com versos certeiros

Não ganhei o dia, nem movi o monte
mas juro . . . delirei a cada letra
aliterando as linhas do horizonte. . .
rimando a luz até domar o medo. . .

Olhei os lírios do campo
Contei estrelas, segredos
Cortei pulsos, fios e dedos. . .
Errei, conheci verdades. . .

Caí do céu noutro mundo
Vi pra crer, quase não cri . . .
Ousei escapulir . . . Pulei um muro
Revi meu passado, previ meu futuro
e dei-me de presente um ‘Bem Maior’

Fui muitas vezes dessa pra melhor. . .
-garanto que ser eu nunca foi fácil-
fui sempre o ‘menos lúcido’ no hospício
e nunca o ‘mais benquisto’ no palácio. . .

fui fundo, fiz chover, salvei uns santos
e devo admitir . . . nem foram tantos
mas, tudo bem -ninguém merece a Graça-
Passei por tudo e sei que tudo passa. . .

Não pedirei perdão e nem licença. . .
A recompensa é sempre dispensável
Indispensável mesmo é a esperança

Eu imagino o inimaginável
e em paz a minha paz nunca descansa. . .
‘’Quando eu crescer, eu quero ser criança’’
Serei. . . Eu sei. . . É certo . . . e inevitável.

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