Aflito (Victor Galvão Marques)




Hoje eu acordei meio Machado, meio irônico meio defunto.

Acordei no anseio de jorrar na cara do mundo meu pseudo pós-modernismo plagiado. Acordei meio metade, meio saudade,

biscate.

acordei meio incompleto, meio.

Mas por mais que me levante, o despertador me grita verdades, me grita incapacidades e desventuras. Meu travesseiro me sussurra desistências e incompetências.

Ah calem-se todas as vozes que me enrocam.

Descongestiona!

"Escreve na parede suas decepções, rasga na maçaneta suas inconclusões!"

Mas mesmo que eu volte a dormir, permanece na insônia o amor, a questão e a canção.

Mesmo que acorde cada dia uma vanguarda, mantenho oculto na poesia a aflição.


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