Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Aflito (Victor Galvão Marques)




Hoje eu acordei meio Machado, meio irônico meio defunto.

Acordei no anseio de jorrar na cara do mundo meu pseudo pós-modernismo plagiado. Acordei meio metade, meio saudade,

biscate.

acordei meio incompleto, meio.

Mas por mais que me levante, o despertador me grita verdades, me grita incapacidades e desventuras. Meu travesseiro me sussurra desistências e incompetências.

Ah calem-se todas as vozes que me enrocam.

Descongestiona!

"Escreve na parede suas decepções, rasga na maçaneta suas inconclusões!"

Mas mesmo que eu volte a dormir, permanece na insônia o amor, a questão e a canção.

Mesmo que acorde cada dia uma vanguarda, mantenho oculto na poesia a aflição.


Copyright © 2015 by Victor Galvão Marques
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