Mulher Sem Limites (Romance de Flor) (Emanuel Galvão)

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Você já figura no meu coração Descalça e sem roupa como num salão Tão bela e tão doce, mulher sem limites Quem dera que fosse... E assim exististes Dançando ao ritmo de minha pulsação.   Não cabes em rótulos, por que caberias? Palavras ou versos, talvez te seduza... Então, só então, tu abras tua blusa E ardente, insana, tu permitirias Volúpias intensas de terna paixão.   Porque minha pele não te resistiria Es bela não nego, sou tão negligente Foras apenas bela, mas és inteligente Não encontro virtude que assim a alcance Melhor te amar, assim de relance   Sem ilusões, sem juras de amor Romance de flor, sem dor sem espinho Caindo as pétalas, restará: odor e carinho Assim em meu sonho, te possuo inteira Te amando pleno, não de qualquer maneira. Copyright © 2020 by Emanuel Galvão All rights reserved. *Foto by: Ana Cruz    

A luta amorosa com as palavras (Mário Quintana)




Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me
aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda
confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas,
meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.
Há! Mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos,
mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade
demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

Nasci do rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que
me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia
descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro –
o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton! Excusez du peu.

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário,
sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é
insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem
que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam
os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro
elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras.
Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante
5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto
de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta
amorosa com as palavras.



*(texto escrito pelo poeta para a revista “Isto É” de 14/11/1984)

*Veja outros textos muito bons em:Mágia da Poesia





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