Mulher Sem Limites (Romance de Flor) (Emanuel Galvão)

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Você já figura no meu coração Descalça e sem roupa como num salão Tão bela e tão doce, mulher sem limites Quem dera que fosse... E assim exististes Dançando ao ritmo de minha pulsação.   Não cabes em rótulos, por que caberias? Palavras ou versos, talvez te seduza... Então, só então, tu abras tua blusa E ardente, insana, tu permitirias Volúpias intensas de terna paixão.   Porque minha pele não te resistiria Es bela não nego, sou tão negligente Foras apenas bela, mas és inteligente Não encontro virtude que assim a alcance Melhor te amar, assim de relance   Sem ilusões, sem juras de amor Romance de flor, sem dor sem espinho Caindo as pétalas, restará: odor e carinho Assim em meu sonho, te possuo inteira Te amando pleno, não de qualquer maneira. Copyright © 2020 by Emanuel Galvão All rights reserved. *Foto by: Ana Cruz    

Eu não sou fraca, sou fraquíssima! (Adriana Moraes)


Eu cresci em meio a mulheres extremamente fortes. Fortes à sua maneira.
Entre minha mãe, minhas tias e as agregadas da família, vi mulheres que tomavam decisões, matavam leões, matavam e morriam diariamente.
Assisti essas mulheres defendendo suas crias de um estranho mundo que sempre foi cruel com elas mesmas.
Testemunhei, despercebida, as lutas diárias e insanas delas para ter pão na mesa, para ter educação para suas crias, para ter um teto sobre suas cabeças. Essa força nas mulheres que eu conheço é tão natural que nem chega a ser qualidade, é necessidade.
Essas mesmas mulheres, apesar da força, são machistas. Mas até isso me serviu de lição.
Aprendi que o machismo e a opressão que ele nos causa, vem em parte, de nós mesmas. Nós estabelecemos de algum modo, as relações de gênero, nós construímos também essa cultura.

Perdoei e perdoou o machismo das mulheres mais velhas da minha família. Mas acho inconcebível a cultura machista que é pregada diariamente, quase como um mantra nas redes sociais. Homens são “chave mestras”, mulheres são “putas”. Homens são “garanhões”, “pegadores”. Mulheres são “cachorras, galinhas, vacas, piranhas”, além de “piriguetes, vagabundas” ou qualquer coisa que o valha. E essa mesma cultura não é disseminada exclusivamente por homens não. As mulheres são vitimas e algozes ao mesmo tempo.
Hoje, não quero “parabenizar” minhas amigas. Hoje quero exigir o direito de ser quem eu quiser ser. O sagrado direito ao meu corpo. O sagrado direito de mostra-lo ou escondê-lo. De ter prazer. Quero o direito irrefutável de ser a vítima e não vilã em um ato violento.
Falo palavrão, falo alto, bebo,  uso maquiagem e reclamo do meu peso diariamente. Sou mãe feliz e ainda assim, desejo, às vezes, uma ilha deserta.
Nas homenagens que me renderam hoje, no dia internacional da mulher, não me reconheci em quase nenhuma delas. Visto que não tenho tantas virtudes. As virtudes que eu tenho são por eu ser humana, mas não por eu ser mulher (ainda assim obrigada pelas homenagens). O dia de hoje representa mais um dia de luta. Não luta contra homens, mas luta para sermos mulheres e pronto.

Entre panelas e volante, batom e retórica, esmaltes e tintas, gasolina e perfumes, ceras quentes e pelos, filhos, companheiros e colegas de trabalho, livros e ferramentas, saliva e suor, sou Mulher fraca e forte. Sou humana.

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