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Mostrando postagens de Agosto, 2012

A Caixa de Brinquedos (Rubem Alves)

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  A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne". Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "

DOUTORES, ILUSTRÍSSIMOS, DIGNÍSSIMOS... (Lídia Maravilha)

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                          Doutores, Ilustríssimos, Digníssimos...              Usamos todos os nossos recursos na nossa melhor formação. Que o purismo, o formalismo exagerado, o contorcionismo intelectual feito para justificar que uns nascem mais iguais que outros, não nos transforme em um número: O número da Ordem!

CAMALEOA (Taciana Valença)

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Alma esta Q'inda molhada De chuva incessante  Adentra na relva Num verde vibrante Que rola e  ama Confunde-se com a grama Levantando-se azul Num mar profundo E deita-se n' areia Na cor de seu mundo...

CAMALEOA (Olívia de Cássia)

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Os camaleões distinguem-se de outros lagartos pela habilidade de algumas espécies em trocar de cor. Eu não sou como a fêmea do camaleão, não uso disfarces, um para cada situação, mas bem que em determinadas horas seria melhor agir assim, para o nosso bem e ‘de toda a santa igreja’. A vida é cheia de labirintos e às vezes é preciso ser dissimulada para não revelar sentimentos e emoções, mas infelizmente a vida não me instruiu para isso também. Não aprendi a viver de falsete, de enganações. Falo de mim, dispo-me de preconceitos e revelo todos os meus segredos, aqueles mais difíceis de serem falados.

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES DA RUA (Jorge de Lima)

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Lá vem o acendedor de lampiões da rua! Este mesmo que vem infatigavelmente, Parodiar o sol e associar-se à lua Quando a sombra da noite enegrece o poente!

A CÚMPLICE (Juca Chaves)

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Eu quero uma mulher Que seja diferente De todas que eu já tive Todas tão iguais Que seja minha amiga Amante e confidente A cúmplice de tudo Que eu fizer a mais... No corpo tenha o Sol No coração a Lua A pele côr de sonho As formas de maçãs A fina transparência D'uma elegância nua O mágico fascínio O cheiro das manhãs... Eu quero uma mulher De coloridos modos Que morda os lábios sempre Que for me abraçar No seu falar provoque O silenciar de todos E seu silêncio obrigue A me fazer sonhar... Que saiba receber Que saiba ser bem-vinda Que possa dar jeitinho Em tudo que fizer Que ao sorrir provoque Uma covinha linda De dia, uma menina A noite, uma mulher... *ver mais do autor  aqui: *ouça a música

UMA MULHER (Bruna Lombardi)

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uma mulher caminha nua pelo quarto é lenta como a luz daquela estrela é tão secreta uma mulher que ao vê-la nua no quarto pouco se sabe dela a cor da pele, dos pêlos, o cabelo o modo de pisar, algumas marcas a curva arredondada de suas ancas a parte onde a carne é mais branca uma mulher é feita de mistérios tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina ela envelhece e esconde uma menina que permanece onde ela está agora o homem que descobre uma mulher será sempre o primeiro a ver a aurora. Bruna Lombardi *veja mais de Bruna Lombardi aqui:   http://www.brunalombardi.com

TÊNIS X FRESCOBOL (Rubem Alves)

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Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

O MELHOR DO ABRAÇO (Ana Jácomo)

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                           "Mas o melhor do abraço não é a idéia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante."                     * veja mais de Ana Jácomo aqui:  http://www.facebook.com/pages/Cita%C3%A7%C3%B5es-Ana-J%C3%A1como/226361214046820

NAMORE UMA GAROTA QUE LÊ (Rosemay Urquico)

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         Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.              Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

A FORÇA DE UMA POESIA (Carmem Luiza)

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Semana passada num trecho de entrevista no programa da TV Escola,  abordando o incentivo à leitura em seus variados gêneros, o escritor Rubem Alves lembrou trecho do filme O carteiro e o poeta para dar exemplo da força que uma poesia pode ter. No filme, existe uma senhora, dona de um restaurante, que tem uma neta, uma moça muito bonita. Um rapaz da aldeia é apaixonado por ela e a velha vive a vigiar os dois... Certa noite, a jovem demora a chegar em casa e a avó fica louca de preocupação. Mal sabe que estão juntos na praia, mas na maior inocência, sem fazer nada demais. Assim que ela retorna ao restaurante, a avó pergunta: __ Aonde você estava? A moça conta a verdade. ___ Ele fez alguma coisa com você? __ continua, sacudindo-a. ___ Ele me disse uma poesia. A velha suspira: ___ Então você está perdida...

O QUE É UMA MÃE (Beatriz Mel)

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                          Mãe é a criatura que nos gera e cria. Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cortes de cabelo diferentes, todas as mães querem a mesma coisa: aproveitar todo o tempo da sua vida descansando, brincando com seus filhos, se arrumando e arrumando a casa. Embora nenhum ser humano (normal) consiga fazer isso, as mães conseguem. Mães arrumam uma saída para tudo: se precisamos de ajuda para resolver algum problema, é com ela mesma.

CIO (Bruna Lombardi)

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Quero dormir com você ou pelo menos Te dar um beijo na boca O meu amor não tem pudor, nem acanhamento Não tem paciência, não agüenta mais A urgência do desejo E eu te olho, te olho, te olho Como se dissesse.

'OS POETAS...' (Rubem Alves)

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'Os poetas são aqueles que, em meio a dez mil coisas que nos distraem, é capaz de ver o essencial e de chamá-lo pelo nome

'ESCREVER É FÁCIL...' (Pablo Neruda)

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‎ ‎' Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias.'

O DUPLO (Affonso Romano de Sant'Anna)

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Debaixo de minha mesa tem sempre um cão faminto -que me alimenta a tristeza. Debaixo de minha cama tem sempre um fantasma vivo -que perturba quem me ama.

UMA COISA É FAZER VERSO, OUTRA É FAZER POESIA (Affonso Romano de Sant'Anna)

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“Uma coisa é fazer verso, outra é fazer poesia. Para fazer versos basta uma certa técnica e uma certa prática, e habitua-se a rimar e metrificar a fala. Poesia é outra coisa. Em grego o termo poeta é sinônimo de inventor e nas comunidades primitivas o vate era o indivíduo possesso que proferia a verdade. Poeta, portanto, como eu e muita gente entende, é o indivíduo que, utilizando-se da linguagem, produz um pensamento que revela e seduz.

AS LAVADEIRAS DE ALAGOAS E AS PALAVRAS (Graciliano Ramos)

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“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer.