BRAZILEIRÍSSIMA (Paulo José Gonçalves)




            Corria ela, a beira-mar, incandescente, tumbante, luzente. Cabelo laranja, cor-cobre, coisa assim.  Camisa preta, letras branco-prateadas, escrito “stop”.  Saia de marca, calcinha Du’Loren, azul escoarente.  Salto ponta-de-agulha, chiclete na boca.  Na boca um batom vermelho escuro.  Na face uma luz pálida.   Inconsciente.  Tiro no peito.   Asas na alma.  Morreu calada, quase impura. Tão brasileira.


 Copyright © 2012 by Paulo José Gonçalves
All rights reserved.








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os Votos (Sérgio Jockymann)

Eu não gosto de você, Papai Noel!... (Aldemar Paiva)

Gritaram-me Negra (Victoria Santa Cruz)

A FLOR E A FONTE (Vicente de Carvalho)

A Reunião dos Bichos (Antônio Francisco)

O Tempo (Roberto Pompeu de Toledo)