Postagens

Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

Imagem
 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

CONSOLO NA PRAIA (Carlos Drummond de Andrade)

Imagem
Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão. Algumas palavras duras, em voz mansa, te golpearam. Nunca, nunca cicatrizam. Mas, e o humor? A injustiça não se resolve. À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros. Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas. Estás nu na areia, no vento... Dorme, meu filho. *ouça o poema  aqui:

DISTRIBUIÇÃO DA POESIA (Jorge de Lima)

Imagem
Mel silvestre tirei das plantas, sal tirei das águas, luz tirei do céu. Escutai, meus irmãos: poesia tirei de tudo para oferecer ao Senhor. Não tirei ouro da terra nem sangue de meus irmãos. Estalajadeiros não me incomodeis. Bufarinheiros e banqueiros sei fabricar distâncias para vos recuar. A vida está malograda, creio nas mágicas de Deus. Os galos não cantam, a manhã não raiou. Vi os navios irem e voltarem. Vi os infelizes irem e voltarem. Vi homens obesos dentro do fogo. Vi ziguezagues na escuridão. Capitão-mor, onde é o Congo? Onde é a Ilha de São Brandão? Capitão-mor que noite escura! Uivam molossos na escuridão. Ó indesejáveis, qual o país, qual o país que desejais? Mel silvestre tirei das plantas, sal tirei das águas, luz tirei do céu. Só tenho poesia para vos dar. Abancai-vos, meus irmãos.

QUADRO (Edna Lopes)

Imagem
Um Homem e seu Cão passeiam na tarde. Caminham lado a lado integrados à paisagem da cidade. Passos sincronizados, elegantes, num clima da grande camaradagem, alegria e descontração. Mãos firmes, corda retesada, olhar atento. Volta e meia a voz do homem se sobrepõe suavemente conduzindo a coleira. O olhar do cão é de incondicional amor humano O olhar do Homem é de inconfundível amor canino. Serão felizes até que a morte os separe... *veja mais da autora  aqui:

METADE (Oswaldo Montenegro)

Imagem
Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim é o que eu grito Mas a outra metade é silêncio.

AMOR... RESPEITO... & LIBERDADE (Kali Mascarenhas)

Imagem
Aquilo que existe em mim e faz parte de mim... pode ser transformado...  se eu quiser... Aquilo que é do outro... só pode ser transformado por ele... e será compreendido e aceito por mim... dentro dos meus limites... se existir respeito... Posso falar ao outro como me sinto em relação ao que ele faz ou diz... se houver liberdade... Não posso afirmar: “Aquilo que o outro fez ou disse me feriu...” Eu é que me feri com AQUILO que ele fez ou disse... tenho opções...  Eu sou dono das minhas emoções... sensações e sentimentos... Também... das minhas atitudes... pensamentos e palavras ! maravilha... Não é coerente dizer que fiz algo para alguém... só porque alguém fez isso comigo primeiro... Se eu agisse assim... eu seria apenas resposta e eco... sem vida... É mais valioso optar por agir ao invés de apenas reagir... É mais sensato perceber que sou dono das minhas ações... e se faço algo... sou o responsável por isso... tenho escolhas... Reconheço que...