Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Poema Didático (Mia Couto)



Já tive um país pequeno

tão pequeno

que andava descalço dentro de mim.

Um país tão magro

que no seu firmamento

não cabia senão uma estrela menina,

tão tímida e delicada

que só por dentro brilhava.

Eu tive um país

escrito sem maiúscula.

Não tinha fundos

para pagar a um herói.

Não tinha panos

para costurar bandeira.

Nem solenidade

para entoar um hino.

Mas tinha pão e esperança

para os viventes

e sonhos para os nascentes.

Eu tive um país pequeno,

tão pequeno

que não cabia no mundo.






Mia Couto, No livro Tradutor de Chuvas, publicado em 2011, reúne mais de 60 poemas.

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