Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Teus Olhos Negros, Tua Tez Morena (Carlos Manuel Arita)



Fascina-me a brancura da açucena
- as flores alvas são as mais bonitas -
mas me atraem com forças infinitas
teus olhos negros, tua tez morena.

Como as flores, também, casta e serena,
aos desejos de amar, por certo, incitas,
porém só vejo, em ânsias vãs, aflitas,
teus olhos negros, tua tez morena

e se adorar-te fosse a minha pena,
arrastaria tudo, humildemente
(a alma, livre da angústia que a condena),

para ter-te afinal sempre presente,
amaria em silêncio, eternamente,
teus olhos negros ... tua tez morena.

(Honduras 1912 - 1989)

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