Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Seu Rei Mandou Dizer... (Emanuel Galvão)


"...mas das palavras não sou eu que faço uso.
São elas, as geniosas, as venais que se utilizam
de mim e se divertem.."
Bruna Lombardi


Pensei certa vez:
Que ofício tem o poeta,
Senão brincar com as palavras?
Não percebia eu
Que elas - as palavras -
É que brincavam comigo.

Percebi isto quando,
Brincar não estava disposto
E as palavras brincavam de se esconder,
De escorregar, de pega-pega,
De pular carniça;
- cada brincadeira de mau gosto! -
De boca de forno,
Só pra me fazer ir e vir.
Atrás de letras, sílabas, pontos, vírgulas
Que seu rei mandou dizer...
E como não bastasse dizer!
Escrever, escrever, escrever...

Mas a palavra é como criança
Quer ser grande antes do tempo
Quer ser independente
- palavras dão um trabalhão
quando esperneiam cheias de vontades -
É feito filho que a gente cria
Sem saber pra quê
(antes, depois ou entre)
Palavra encanta a gente!
E dá a falsa esperança
Que através delas
A gente pode ser pra sempre.

Copyright © 2007 by Emanuel Galvão
All rights reserved.


Tela: Moleques Pulando Cela (1958) - Cândido Portinari

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