Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Ao Góes (Emanuel Galvão)



“Plantei um pé de saudade
E nunca mais ele morreu”
                           mgóes


Ele vivia
driblando a solidão
mente sã
corpo não

era do tipo de poeta
que costura versos
com a linha do equador
eu costurei seus versos
num poema de amor


sua poesia nasceu para sentir,
e hoje mais do que nunca sente...
e sente muito
sua ausência
e Deus lhe deu
de presente um
pedaço de céu azul
escrito em baixo:

estrelado para cima.

ele que era como Deus
só que as avessas
escrevia torto
por linhas retas
foi recebido
por antigos poetas
e escritores:
Ascenso Ferreira,
Hermilo Borba Filho,

fez bonito frente
aos conterrâneos
Juarez Correia,
Luiz Berto

a doença ao Góes
entregou...
um poeta liberto.


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