Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Democracia (Zealberto de Paulo Jacintho)



Quando canto o que sofre esse meu povo
sem trabalho, sem casa, sem comida,
sem direito a dispor da própria vida,
com certeza eu muito me comovo
e daqui desses versos eu promovo
um pedido gritante de protesto:

- Não eleja o homem desonesto,
mostre que não aceita e não concorda
que é o avesso do pano de quem borda
é meu canto irritante e manifesto.


'Aproveitei os dois últimos versos de um poema do amigo Emanuel Lopes Ferreira Galvão, transformado-os em mote para esse decassílabo.'






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