A Caixa de Brinquedos (Rubem Alves)

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  A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne". Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "

Timidez - Eu Que Não Sei Falar de Amor (Emanuel Galvão)

 



Meu corpo deseja teu calor
Volúpia que me faz enlouquecer
Com fúria e sem nenhum pudor
E a certeza de não te esquecer
Eu que não sei falar de amor
Resolvi escrever para você

As flores exalam seu olor
Antes que possam fenecer
O sol fornece seu calor
Antes da noite o esconder 
Eu que não sei falar de amor
Resolvi escrever para você

Talvez haja um pouco de temor
Mas preciso então esclarecer
Revelar-me parece libertador
Senão, sou capaz de padecer
Eu que não sei falar de amor
Resolvi escrever para você

Das paixões sou colecionador
Mas você me fez amolecer
Com seu jeitinho encantador
E beleza que não posso descrever
Eu que não sei falar de amor
Resolvi escrever para você

Escrever é algo desafiador
Mas que se pode aprender
Amante não tem procurador
Ninguém pode substabelecer
Eu que não sei falar de amor
Resolvi escrever para você

Menina te falo com muito ardor
Para você jamais me esquecer
Ser poeta ou ser um trovador
Nem se compara em te satisfazer
Eu que não sei falar de amor
Resolvi escrever para você


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