23 Horas (Ademir João da Silva)



Luzes da cidade
Gritos e gaitadas ao longe
O trem de carga das 23 horas
Esperança
Ânsia
Uma e outra reclamação
Mosquitos amassados
Asas quebradas
Pernas quebradas
Muriçocas fodidas no chão
Voo repentinamente abortado
Plasma não sugado
Noite da cidade
E uma lua nebulosa se ergue
Preguiçosa
Por trás de um pálido e fino lençol
De nuvens
E a baga tá lá, fria
Os arredores, desertos de ninguém
Com árvores negras, degraus e bancos de pedra
Igualmente negros e despreocupados.
São 23 horas.

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