Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2018

A Voz do Solo (Italmar Lamenha de Albertim)

Imagem
Queima sol, Esse chão sofredor; Sopra vento, Pra aliviar minha dor.
Já não sei a que vim, Se nada produzo ou crio... Será castigo pra mim, Ou apenas desafio?
Não chores tanto menina, Não tenhas mágoa de mim; Tua vaquinha morreu? Foi Deus que quis assim.
Não tenho culpa da fome Que matou tua malhada; A árvore também está triste, Porque está desfolhada.
Se matar a minha sede Tua lágrima pudesse, Viveria na fartura Quem tanto hoje padece.
Vamos ter fé no Pai Que criou o universo; Que Ele entenda e perdoe O meu desabafo em verso.


Copyright © 2018 by Italmar Lamenha de Albertim
All rights reserved.

Soneto "Flor de Laranjeira" (Cavalcanti Barros)

Imagem
Num álbum de sonetos vi pedaços,
pedaços bem diversos de outras vidas.
Vi almas suspirando doloridas,
e de amarguras vi profundos traços.
Em cada página encontrei, esparsos,
doridos corações, almas doridas,
amor, paixão, saudades incontidas,
anseios, beijos, dor, sonhos e abraços.
E nessa singular promiscuidade,
senti, silente, a dor duma saudade.
Outras dores iguais também senti,
Como se fosse um espelho desta vida,
eu vi minh'alma, inteira, refletida
naqueles versos que em suspiros li.

José Cavalcanti Barros é procurador aposentado, jornalista, poeta,
membro efetivo da Academia Maceioense de Letras
e da Academia Maçônica de Letras.
O soneto acima faz parte do livro "Tempo de Agora"

Namoro (Emanuel Galvão)

Imagem
Nesse meu ofício
de casar palavras,
fica um tanto difícil
casar, sem promover
o namoro.

Para escrever
eu quase que devoro,
livros, letras, lugares,
pessoas, poesias, pomares
e como trama os enlaço
sem nem pensar no cansaço,
pra promover o encontro,
com carinho e com decôro
às vezes ao dicionário
peço urgente socorro.

Juntar letra com letra,
sílaba com sílaba,
pra fazer uma oração,
com sujeito e predicado,
não há mesmo quem consiga,
sem verbo, sem coração
e um pouquinho de cuidado.
Pra fazer essa união
tem que estar enamorado!

Para que o escrito prossiga,
palavra com palavra,
pra elas se amasiarem...
não há mesmo quem consiga,
sem o aconchego do namoro,
pra só depois, se casarem.

Para quem agora tá amando
ou pra qualquer conquistador:
Romântico, cético, desconfiado...
- entre as palavras -
Vejam só que curioso!
Amigado, ficando,
enrolado, amancebado,
e até mesmo casado...
- Não tem birra,
não tem choro -
Só encontrei amor
Na palavra nAMORo!


Copyright © 2015 by Emanuel Galvão
All rights …

Façamos, Vamos Amar - Let’s Do It, Let’s Fall in Love - (Cole Porter/Carlos Rennó)

Imagem
Os cidadãos no Japão fazem
Lá na China um bilhão fazem
Façamos, vamos amar

Os espanhóis, os lapões fazem
Lituanos e letões fazem
Façamos, vamos amar

Os alemães em Berlim fazem
E também lá em Bonn
Em Bombaim fazem
Os hindus acham bom

Nisseis, níqueis e sansseis fazem
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos, vamos amar

Os rouxinóis nos saraus fazem
Picantes pica-paus fazem
Façamos, vamos amar

Uirapurus no Pará fazem
Tico-ticos no fubá fazem
Façamos, vamos amar

Chinfrins, galinhas afim fazem
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são

Muitos perus todos nus fazem
Gaviões, pavões e urubus fazem
Façamos, vamos amar

Dourados no Solimões fazem
Camarões em Camarões fazem
Façamos, vamos amar

Piranhas só por fazer fazem
Namorados por prazer fazem
Façamos, vamos amar

Peixes elétricos bem fazem
Entre beijos e choques
Cações também fazem
Sem falar nos hadoques

Salmões no sal, em geral, fazem
Bacalhaus no mar em
Portugal fazem
Façamos, vamos amar

Libélulas em bambus fazem
Cento…

Manifestação (Carlos Rennó/Russo Passapusso/Rincon Sapiência e Xuxa Levy)

Imagem
Foto de Francisco Proner
Aqui estamos na avenida,
Pelas ruas, pela vida,
Marchando com o cortejo
Que flui horizontalmente,
Manifestando o desejo
De uma cidade includente

E uma nação cidadã
Traduzido numa canção,
Numa sentença, num mantra,
Num grito ou numa oração…

… Por todo jovem negro que é caçado
Pela polícia na periferia;
Por todo pobre criminalizado
Só por ser pobre, por pobrefobia;

Por todo povo índio que é expulso
Da sua terra por um ruralista;
Pela mulher que é vítima do impulso
Covarde e violento de um machista;

Por todo irmão do Senegal, de Angola
E lá do Congo aqui refugiado;
Pelo menor de idade sem escola,
A se formar no crime condenado;

Por todo professor da rede pública
Mal-pago e maltratado pelo Estado;
Pelo mendigo roto em cada súplica;
Por todo casal gay discriminado.

E proclamamos que não
Se exclua ninguém senão
A exclusão.

Aqui estamos nós de volta,
Sob o signo da revolta,
Por uma vida mais digna
E por um mundo mais justo,
Com quem já não se resigna
E se opõe sem nenhum susto

A uma classe dominante
Hos…