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Mostrando postagens de Março, 2018

Folhas Mortas (Arnoldo Wiecheteck)

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Desprende-se uma folha amarelada,
Logo outra lhe sucede e outras mais,
Na calma de uma tarde acizentada,
Como suspiros, lágrimas e áis.

Folhas mortas, que tombam nas estradas,
Na balada dos ritmos estivais,
Levadas pelos ventos, em derrocada,
Rolam, bailam, voam em espirais.

Também sou como a folha desprendida,
Rolando pelo outono dessa vida,
Vagando com meu sonho já incolor.

Caí numa alameda sossegada,
Num êxtase de uma noite enluarada,
Entre um beijo e uma lágrima de amor.

Ciclo da Vida (Lys Carvalho)

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Não tenho mais memória para lembrar
palavras, músicas, datas e receitas,
mas tenho um calor na alma,
que abastece meu coração
de ternura, amizade e muito amor.

Já não tenho idade para correr,
mas firmo, bem devagar,
cada passo, no compasso da vida,
contando e relembrando
a pressa de um passado,
no qual somos como frutas
(frescas e viçosas).

Não tenho mais a firmeza das mãos
para escrever todas as lembranças
de um passado que ainda vivo,
mas, lembrar revigora a alma
e o coração, para continuar a viver.

Não tenho mais velhos e queridos amigos,
mas tenho a felicidade de conquistar novos,
reciclando meus conhecimentos e valorizações,
tornando-me mais receptiva à vida.

Não tenho mais pai, mãe, irmão, tias e tios,
mas tenho guardado seus rostos
e suas marcantes presenças,
nos lindos momentos de minha vida.

No ciclo da vida, somos como as nuvens
que vão passando...
e formando vários cenários,
até que se dissolvem no céu.

Hoje, as rugas
(que marcam minha face)
nada representam dentro do meu …

Derradeiro ‘AU REVOIR’ (Paulo Miranda Barreto)

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No dia em que os anjos caírem em si
(algum tempo antes de Jesus voltar)
já haverei de estar com Salvador Dali
a ler Baudelaire nos jardins de Alá. . .

Não há inferno aqui . . .  nem acolá!
E ‘fogo eterno’ é o meu (anote aí)!
No Além, sei muito bem que mal não há
E eu lá, só vou colher o que escolhi. . .

Do amor que dei dos versos que escrevi
da paz que semeei .  . . farei um chá
e brindarei á tudo o que vivi
junto dos meus (e Deus nos louvará)

De quem ficar não sei o que será. . .
Talvez o mundo acabe em frenesi. . .
Quem sabe continue como está. . .
Ou mude pra melhor (como eu previ)!

Só sei que nada sei . . .  mas, e daí?
Se um dia saberei . . .  quem saberá?
Quem sabe eu já sabia e me esqueci. . .
(Acho que eu sempre soube) . . . E quem dirá

se era verdade tudo o que  menti 
se era mentira o que  fingi jurar
ou se o que  não jurei e nem fingi 
alguém jurou, fingiu no meu lugar?

Os erros (que jamais admiti)
já corrigi . . . não tenho o que pagar
E os dons que nunca pude revela…