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Mostrando postagens de Julho, 2014

O Que é Morrer de Sede em Frente ao Mar? (Fernando Tenório)

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Carlos saiu para passear. Embora avesso às saídas no fim de tarde de sábado resolveu, por obra do destino ou acaso, ver o mar. Experimentou a brisa no rosto como há muito não fazia. Olhou para o azul do céu e lembrou-se dos olhos de um passado que ainda mexe. Mexe mais que ressaca de mar revolto, tem poder maior que o da água na arrebentação, a qual pode,apesar da sua fluidez, levar tudo consigo.

O Homem Vestido de Sol (Fabrício Carpinejar)

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Meu rei, o sertão nunca virou mar,
mas palavras dos seus livros feitos para mirar
longe e infinito, como canções de guerrear.

E a palavra virou brasa e a brasa virou brasão
de uma carta que só será aberta agora com sua morte.

Norte, não! NORDESTE! (Felipe Chaves Guimarães)

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Nascido em Maceió/Alagoas, quis a vida me levar, me alfabetizar e me criar na Ponta da Praia/Santos/São Paulo. Cresci como aqueles meninos que moram no “Sul” de um Brasil que me diziam que era dividido em somente duas regiões.

O Barquinho (Jurandir Bozo)

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Escorre em meu peito Um restinho de água do rio Junto a uma dolorosa saudade De quem nunca fui E fico imaginando Enquanto goteja meus olhos As poucas águas do rio Que ainda carrego no peito Assim por vezes saudade e eu rio Por vezes dor e eu rio também Eu rio da vida observando suas margens Que nunca passam ou escorem

Os Votos (Sérgio Jockymann)

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'Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado. E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa. Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis. E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança. E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro. Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Amor Pra Recomeçar ( Frejat / Mauricio Barros / Mauro Sta. Cecília)

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Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero

Foi-se a Copa? (Carlos Drummond de Andrade)

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Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Gritaram-me Negra (Victoria Santa Cruz)

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*
Tinha sete anos apenas,
apenas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!

De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

"Por acaso sou negra?" – me disse
SIM!
"Que coisa é ser negra?"
Negra!
E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.

Gato que brincas na rua (Fernando Pessoa)

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Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Sintaxe À Vontade (Fernando Anitelli)

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Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto ou indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a frase, nem a crase nem a vírgula e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas é aposto
e eu aposto o oposto que vou cativar a todos
sendo apenas um sujeito simples
um sujeito e sua oração
sua pressa e sua prece

Se Voltares (Rogaciano Leite)

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Como sândalo humilde que perfuma
O ferro do machado que lhe corta,
Eu hei de ter minha alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma.

Se voltares um dia à minha porta,
Tangida pela fome e pela bruma,
Em vez da ingratidão, que desconforta,
Terás um leito sobre um chão de pluma.

Ai Que Saudade D'ocê (Vital Farias)

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Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê