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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

FELIZ RENOVO (Emanuel Galvão)

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Quando você chegar
Eu quero estar...
Pois um dia sei que terei ido.
Quando você chegar
Que seja mais que outros
Esperado, amado, querido
Feliz.

DESEJOS... (Carlos Drummond de Andrade)

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Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você

AGENCIA ARS: NOTICIA FINAL DO MISTERIOSO NAZARENO: (Affonso Romano de Sant'Anna)

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URGENTE-I

Noticias vindas da Palestina afirmam que, escapando à matança ordenada por Herodes, acaba de nascer ali uma criança assombrosa.

URGENTE II:
Os Tres Correspondendes Estangeiros presentes ao fato, um da Al-Jazeera, outro da CNN e da Estatal Chinesa estão perplexos! E a NASA pensa que o recém-nascido é um alienígena.

URGENTE III:

Cientistas decidiram realizar um exame do DNA do recém-nascido e encontraram aí alguns elementos que faltam na maioria dos seres humanos.

URGENTE IV:

Análises biocelulares do recém-nascido indicam que ele tem 2.012 anos, mas não aparenta tal idade.

URGENTE V:

Essa criatura des/orientadora lembra o filme com Brad Pitt- “O curioso caso de Benjamin Button”. Ele é o novo e o velho ao mesmo tempo.

URGENTE VI:

O menino-velho ou o velho-menino foi visto discutindo com os doutores da lei, e parece que a ONU vai convidá-lo para um pronunciamento.

URGENTE VII:
A excepcional criatura desapareceu depois da discussão com os sábios, não foi à ONU. Dizem que tomou o caminho de ou…

LENDO IVO (Emanuel Galvão)

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Sinto saudades do que nunca fui, do que deixei de ser, do que sonhei e se escondeu de mim atrás da porta. (Lêdo Ivo)
Ledo engano Quem acha que o conhecia Pela via da poesia. Um nome substantivo Para além do próprio Adjetivo: Ledo, Alegre, contente, satisfeito, jubiloso. Quem assim o descreveria? Que não necessita de acento, Para ser um imortal Ter seu assento na academia.

SONETO DOS VINTE ANOS (Lêdo Ivo)

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Sol Alagoano - Foto: Thiago Theo
Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.

Passem rios, estrelas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.

Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca este momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.

Fez-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura.


CANTIGA PARA NÃO MORRER (Ferreira Gullar)

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Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

AMADO (Vanessa da Mata)

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Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você


NATAL DE UM PÁRIA (Pedro Onofre)

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- Mamãe, papai Noel é mesmo um bom velhinho?
Se ele em verdade existe, assim como é falado,
por que não se lembrou de mim, esse enjeitado
que pra calçar não tem sequer um sapatinho?

E aquela pobre mãe, cabelo em desalinho,
o olhar busca esconder, tristonho e marejado
do pranto que verteu. Encara com cuidado
o filho, preocupada em demonstrar carinho.

Tenta expulsar do rosto essa expressão sombria
e num sussurro diz ao filho de repente:
- Se acaso ele existisse, o que lhe pediria?

E a criança ao responder-lhe, incrédula sorri.
- Queria que me desse, mãe, como presente.
na Noite de Natal, o pai que nunca vi.

Este soneto consta do livro “Poesias completas de Pedro Onofre”, lançado dia 22 de dezembro.

*Veja mais do autor aqui:

VELHA MANJEDOURA (Luciano Barbosa)

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Noite fria e escura; céu tão triste. Tanto silêncio: as ruas estão de luto, A lua e estrelas lançam um brilho bruto, Quase parece que o viver não existe.
O vento nada tinha de contente. As árvores, quietas, pareciam mortas. Das casas quase não se vêem as portas Pela falta de luz em sua frente.
Quanta paz, quanta treva, quanta esperança; Palhas amontoadas tornam-se leito, Tudo no mais sublime amor é feito, Para a chegada da Vida e da Bonança.
Tão Rico, mas por nos amar, fez-se pobre; Por ser luz, foi melhor nascer nas trevas; Um Rei nascido sobre secas ervas; Velha manjedoura, que local tão nobre
Que rude local: escuro e de oculta ternura, Esquecido pelo riso, sujo e apertado. Meu coração é tão qual assemelhado, Espera essa Luz Eternamente pura.
Copyright © 2001 by Luciano Barbosa All rights reserved.

*veja mais do autor aqui:

DO ARQUITETO AO ARQUITETO (Emanuel Galvão)

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“E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” João 14:3 Eu te chamei Niemeyer Porque “não é a linha reta, dura, inflexível Criada pelo homem” Que te atrai Mas as linhas sinuosas “Dos rios, das nuvens no céu, da mulher” As linhas que desafiam o impossível
As linhas preferidas do meu Pai.

UM BEIJO PODE DIZER TUDO (Emanuel Galvão)

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Quero decifrar sua língua Não sua palavra Um beijo pode dizer tudo E mesmo assim As insidiosas palavras rompem o silêncio Trazendo à tona a fragilidade dos significados Enquanto eu quero saber Dos novos universos Que habitam o céu Da tua boca

FEITO UM HOMEM (Emanuel Galvão)

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Eu sempre o notava Solitário e sério. Às vezes um sorriso cínico. Não sei se me amava. - Seu jeito tão etéreo - Só sei que me fitava E me deixava nua Cada vez que me olhava.

'A CORAGEM' (Norman Vincent Peale)

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'Tenha menos receio e mais esperança; coma menos e mastigue mais; choramingue menos e respire mais; fale menos e diga mais; odeie menos, ame mais - e todas as coisas boas serão suas.” Repare que, nele, “tenha menos receio” encabeça a lista das coisas que devemos fazer se quisermos que tudo que é bom seja nosso. Nesta vida, a coragem é uma necessidade absoluta.'

A MORTE DEVAGAR (Martha Medeiros)

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Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições. Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

POETA... (Pinto do Monteiro)

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Poeta é aquele que tira de onde não tem, e bota onde não cabe.