Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

ECLIPSE (Emanuel Galvão)





Sou tímida, sou nua
Sou pálida, sou tua
Mas que tristeza
Teres nascido sol
E eu, ao invés de estrela
Ter nascido lua.


És resplandecente e belo
És ardente, ouro-amarelo.
Mas que alegria.
Quando estou contigo,
No mesmo dia,
Mesmo que apagada
Sou lua, sou nua, sou tua
Namorada.

És sol:
Teus cabelos são chamas
Teus olhos luz
Tua boca arde
E teu cabelo celeste
Tudo insinua.
Mas sou covarde
Sou tua, sou nua, sou lua:

Quando nova,
Timidamente apagada
Crescente, desvairada
Cheia, de amor e de luz
Minguante, faltando um pedaço
Me desfaço
Esvaindo-me sem teus braços.

Invejo o mais pequenez
Dos homens que podem amar
E desarmar com o olhar
O não dos lábios.

Invejo o poeta na sua loucura
Na vã procura, do amor platônico
Da poesia perfeita
Da mulher eleita.

Mas, és sol e sou lua
Quem a favor do nosso amor
Há de conceder o caos universal?
- Quem se importunou?! -
Quem decretará o apocalípse?
Para ardermos nós num eterno
Eclipse.


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