Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

ECLIPSE (Emanuel Galvão)





Sou tímida, sou nua
Sou pálida, sou tua
Mas que tristeza
Teres nascido sol
E eu, ao invés de estrela
Ter nascido lua.


És resplandecente e belo
És ardente, ouro-amarelo.
Mas que alegria.
Quando estou contigo,
No mesmo dia,
Mesmo que apagada
Sou lua, sou nua, sou tua
Namorada.

És sol:
Teus cabelos são chamas
Teus olhos luz
Tua boca arde
E teu cabelo celeste
Tudo insinua.
Mas sou covarde
Sou tua, sou nua, sou lua:

Quando nova,
Timidamente apagada
Crescente, desvairada
Cheia, de amor e de luz
Minguante, faltando um pedaço
Me desfaço
Esvaindo-me sem teus braços.

Invejo o mais pequenez
Dos homens que podem amar
E desarmar com o olhar
O não dos lábios.

Invejo o poeta na sua loucura
Na vã procura, do amor platônico
Da poesia perfeita
Da mulher eleita.

Mas, és sol e sou lua
Quem a favor do nosso amor
Há de conceder o caos universal?
- Quem se importunou?! -
Quem decretará o apocalípse?
Para ardermos nós num eterno
Eclipse.


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