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Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

Fuá na Casa de Cabral (Sérgio Roberto Veloso de Oliveira - Siba / Helder Vasconcelos)

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Naquele Brasil antigo Perdido no desengano Seu Cabral chegou nadando E não preocupou com nada Deu ordem à rapazeada Mandou barrer o terreiro: "Me chame o pai do chiqueiro que hoje eu quero forró, Toré, samba, catimbó Que eu já virei brasileiro"

Amor Feinho (Adélia Prado)

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Amor feinho Eu quero amor feinho. Amor feinho não olho um pro outro. Uma vez encontrado é igual fé, não teologa mais. Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança. Eu quero amor feinho.

Feliz Páscoa (Frei Beto)

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Feliz Páscoa aos que desdobram a subjetividade, rompendo a casca do ego para deixar renascer a mulher ou o homem novo, e a quem se nutre de TV sem enxergar as maravilhas encerradas no próprio peito. Feliz Páscoa aos artífices da paz que, entre conflitos, exalam suavidade, não achibatam com a língua a fama alheia, nem naufragam nas próprias feridas. E aos emotivos que deixam escapar das mãos as rédeas da paciência e nunca abandonam as esporas da ansiedade.

Chegança (Antônio Nóbrega / Wilson Freire)

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Sou pataxó, Sou xavante e cariri, Ianonami, sou tupi Guarani, sou carajá. Sou pancaruru, Carijó, tupinajé, Potiguar, sou caeté, Ful-ni-o, tupinambá.

É Preciso Não Esquecer Nada (Cecília Meireles)

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É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes nem a oração de cada instante.