Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Intervalo (Carlos Pronzato)

 


Te tomo da mão
Respiro teu aroma de metais
Ferrugem ou carmim
Tua boca é uma engrenagem frenética
De flores

Nosso intervalo é tão curto
Que as palavras voam
Como pregos cintilantes
Em rosas de cobre
Beijos martelados no alumínio
Dos teus lábios

A sirene interrompe
A brisa do pátio
E a paisagem do teu rosto

Nos devolve ao estrondo
À diária exploração
Do cartão de ponto.

Copyright © 2021 by Carlos Pronzato
All rights reserved  

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