Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

PINCÉIS E TURQUESAS (Paulo Caldas)

colocaram um espantalho para espantar os pássaros 
e ele tornou-se a casa deles!


Espantalho palhaço
Apareceu no meu jardim,
Espantalho mil cores
Plantando flores em mim.

Contando piadas,
Batendo palmas,
Divertindo a passarada...

Corriam, gritavam,
Sorriam, saltavam,
Crianças em torno de si,
Pincéis, amarelos,
Papéis e turquesas,
Vermelhos do claro ao carmim.

Os verdes surgiam, cascatas ruidosas,
Das copas frondosas aos finos capins.

Gostava de dançar samba,
Valsa, polca, tudo enfim,
Forró, maxixe, quiabo,
Arroz, feijão, sapoti,
A dança das margaridas,
Xaxado ao som dos flautins.

Dobrados não eram seu forte,
Nem o som dos clarins.
Manobras de vida
Vibravam em seu peito
Em luas de prata e sóis de cetim

Lápis de cor, rabisco, carvão
Eram bandeiras trazidas nas mãos.
Recheios de palha em roupas de chita,
Chapéus coloridos, retalhos, remendos,
Zigue-zague, sianinhas, costuras, linhas,
Compondo em mil partes o todo de mim. 


Copyright © 2013 by Paulo Caldas
All rights reserved.


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