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Mostrando postagens de Novembro, 2019

A Caixa de Brinquedos (Rubem Alves)

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  A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne". Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "

Já Basta (Pedro "Pedrada" Caetano)

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Marielle – Mujer, de Joana Ziller "Memória de um tempo onde lutar Por seu direito é um defeito que mata"* Do preto de Nazaré até a preta da maré Vemos as marcas desta opressão O preconceito é aceito, só quem sofre vai saber Os flagelados com essa perseguição Eles podem até tentar a voz do povo calar Pela culatra o seu tiro foi em vão Como você vai dormir, com esse modo de agir Sua segurança vai vir da educação Oh, já basta! Oh, já basta! Memória de um tempo onde lutar Por seu direito é um defeito que mata Memória de um tempo onde lutar Por seu direito é um defeito que mata Dos humilhados e ofendidos, dos explorados e oprimidos Dos que lutam e querem a mudança Dos que nunca, perdem a esperança Sonho que se sonha junto muda realidade Por todos os nossos mártires da sociedade Pode parecer difícil termos capacidade De ver além do ouro e da prata Oh, já basta! Oh, já basta! Memória de um tempo onde lutar Por seu direito é um defeito que ma

Teus Olhos Negros, Tua Tez Morena (Carlos Manuel Arita)

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Fascina-me a brancura da açucena - as flores alvas são as mais bonitas - mas me atraem com forças infinitas teus olhos negros, tua tez morena. Como as flores, também, casta e serena, aos desejos de amar, por certo, incitas, porém só vejo, em ânsias vãs, aflitas, teus olhos negros, tua tez morena e se adorar-te fosse a minha pena, arrastaria tudo, humildemente (a alma, livre da angústia que a condena), para ter-te afinal sempre presente, amaria em silêncio, eternamente, teus olhos negros ... tua tez morena. (Honduras 1912 - 1989)