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Mostrando postagens de Outubro, 2019

Acolher (Claudia Lima)

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Dê abraços acolhedores sempre.
Só quem já acolheu uma criança pequena no colo
E sentiu dela um relaxamento de confiança,
de entrega
Sabe o que é acolher.
Para acolher é necessário
Estar pronto a receber,
E não é fácil...
Porque a troca de energia
É via de mão dupla: vai e volta.
Quem vai em busca do acolhimento
Procura: calor, segurança, aconchego, entrega
Chega em busca de um abraço, um colo...
Por muitos motivos: dor, perda, decepção, estresse,
coração partido e muito mais...
Quem acolhe tenta ser esponja grande e macia,
Cheia de energia positiva
Para acolher, e acolher bem. 

Copyright © 2019 by Claudia Lima
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Proletariado (Hélder Aragão - Dj Dolores)

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*(foto)
Justiça, que justiça? Se é sempre a mundiça entupindo as prisões!
Justiça, que justiça?
Se é sempre a mundiça entupindo as prisões!
Justiça, que justiça?
Se é sempre a mundiça entupindo as prisões!

E quem é que apanha?
Proletariado!
É quem passa a fome?
Proletariado!
Sempre desempregado?
Proletariado!
A caminho do crime?
Proletariado!

Quem tá fora da festa,
Quem bate com testa,
No muro da grana,
Quem mora no buraco,
Quem carrega o saco,
Quem é o culpado?

Pra quem é a polícia? Pra quem é a polícia?

Justiça, que justiça?
Se é sempre a mundiça entupindo as prisões!
Justiça, que justiça?
Se é sempre a mundiça entupindo as prisões!
Justiça, que justiça?
Se é sempre a mundiça entupindo as prisões!

E quem é que apanha?
Proletariado!
É quem passa a fome?
Proletariado!
Sempre desempregado?
Proletariado!
A caminho do crime?
Proletariado!
Quem tá fora da festa,
Quem bate com testa
No muro da grana,
Quem mora no buraco,
Quem carrega o saco,
Quem é o culpado?
Pra quem é a polícia?
Pra quem é a polícia?

*A violência polici…

A Voz Do Silêncio (Martha Medeiros)

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Paula Taitelbaum é uma poeta gaúcha que acaba de lançar seu segundo livro, Sem Vergonha, onde encontrei um poema com apenas dois versos que diz assim: "Pior do que uma voz que cala/É um silêncio que fala".

Simples. Rápido. E quanta força. Imediatamente me veio a cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.

Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o s…

Os Leitores (Emanuel Galvão)

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Os tidos normais Leem com os olhos A paisagem pelas palavras Criadas
Os cegos Leem com dedos E com bastante tato Percorrem os corpos das páginas De letras tatuadas
Os surdos Leem as libras Os livros E os lábios
Os emotivos Têm seus motivos Para lerem sinestesicamente Hão de concordar aos sábios
Os malucos como eu Que vida tanto inquieta No ofício de ser poeta Despretensiosamente Lê o que outro sente
E os amantes Ao contrário das cartomantes Das quiromantes Leem além das cartas e das mãos O que não está oculto ao coração Algo que do corpo se revele Leem os desejos segredados... Em cada tipo de pele.

Copyright © 2015 by Emanuel Galvão 
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Elogio ao Desejo & Outras Palavras / Emanuel Galvão,
Maceió - AL. - Quadrioffice Editora, Quatro Barras, PR, 2015.
Pag. 36

É a Vida - That's Life (Kelly Gordon / Dean Kay) Tradução

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É a vida (é a vida), é o que todos dizem
Você está no alto em abril, derrubado em maio
Mas eu sei que mudarei essa história
Quando eu voltar ao topo, voltar ao topo em junho

Eu disse que é a vida (é a vida), e por mais estranho que pareça
Algumas pessoas se divertem pisoteando sonhos
Mas eu não deixo, deixo isso me deprimir
Porque esse velho e belo mundo continua a girar

Eu já fui um fantoche, um indigente, um pirata, um poeta, um peão e um rei
Eu já estive por cima, por baixo, por dentro e por fora, e uma coisa eu sei
Toda vez que me encontro derrotado no chão
Eu sacudo a poeira e volto pra corrida

É a vida (é a vida), isso eu não posso negar
Eu pensei em desistir, amor, mas meu coração simplesmente não aceita
E se eu não pensasse que valesse só uma tentativa
Eu pularia direto em um grande pássaro e então voaria

Eu já fui um fantoche, um indigente, um pirata, um poeta, um peão e um rei
Eu já estive por cima, por baixo, por dentro e por fora, e uma coisa eu sei
Toda vez que me en…

23 Horas (Ademir João da Silva)

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Luzes da cidade
Gritos e gaitadas ao longe
O trem de carga das 23 horas
Esperança
Ânsia
Uma e outra reclamação
Mosquitos amassados
Asas quebradas
Pernas quebradas
Muriçocas fodidas no chão
Voo repentinamente abortado
Plasma não sugado
Noite da cidade
E uma lua nebulosa se ergue
Preguiçosa
Por trás de um pálido e fino lençol
De nuvens
E a baga tá lá, fria
Os arredores, desertos de ninguém
Com árvores negras, degraus e bancos de pedra
Igualmente negros e despreocupados.
São 23 horas.

Copyright © 2019 by Ademir João da Silva
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