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Mostrando postagens de Dezembro, 2018

Neruda (Rafael Britto)

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Não me prive do consolo do seu olhar terno
E nem troque as fechaduras do seu coração
Acabe com esses delírios tão inquietos
Pois estou perto e certo que temos solução

Se eu posso viver tudo isso de novo, posso lhe fazer feliz agora...

Se deite na areia da praia mais linda que ver
Relembre seus momentos felizes comigo
Refaça as coisas que não deram certo
Procure nas ondas da vida um mar de sorrisos

Se eu posso viver tudo isso de novo, posso lhe fazer feliz agora...

Volta pra casa, trazendo as malas de sua viagem
Na bagagem mostra por onde seu sonho passou
O que soprou o vento em seus cabelos
Remete-los ao acordar que nossa vida já chegou

Se eu posso viver tudo isso de novo, posso lhe fazer feliz agora...

E se você dormir por estar confusa com isso
Cismo eu mesmo de tentar te ajudar
Acompanhar seu sofrimento tão impreciso
Algo tão ambíguo, mas querido, como o mar

Se eu posso viver tudo isso de novo, posso lhe fazer feliz agora...

Sou péssimo com as palavras e formas
Não sei se entende …

Ainda Cabe Sonhar (Jonathan Silva)

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Bordar, num pano de Linho
Um poema Tambor que desperte o vizinho.
Pintar, no asfalto e no rosto
Um poema alvoroço que adormeça a cidade.

Dançar com tamancos na praça
Cantar, porque um grito já não basta
Esfarrapados, banguelas e
Meninos de rua, poetas, babás.
Vistam seus trapos, abram os teatros,
É hora de começar:
Alerta, desperta, ainda cabe sonhar.
Alerta, desperta, ainda cabe sonhar.




Aninha e Suas Pedras (Cora Coralina)

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Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Inevitável (Paulo Miranda Barreto)

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Coloquei palavras na boca da noite
Sussurrei mentiras na orelha dos livros
Conversei com plantas, retratos, paredes. . .
e roubei de Deus uns dons subversivos

Caminhei nas nuvens com meus pés de vento
Bebi oceanos, fumei nevoeiros
e desapontei ponteiros de relógio
por matar meu tempo . . . com versos certeiros

Não ganhei o dia, nem movi o monte
mas juro . . . delirei a cada letra
aliterando as linhas do horizonte. . .
rimando a luz até domar o medo. . .

Olhei os lírios do campo
Contei estrelas, segredos
Cortei pulsos, fios e dedos. . .
Errei, conheci verdades. . .

Caí do céu noutro mundo
Vi pra crer, quase não cri . . .
Ousei escapulir . . . Pulei um muro
Revi meu passado, previ meu futuro
e dei-me de presente um ‘Bem Maior’

Fui muitas vezes dessa pra melhor. . .
-garanto que ser eu nunca foi fácil-
fui sempre o ‘menos lúcido’ no hospício
e nunca o ‘mais benquisto’ no palácio. . .

fui fundo, fiz chover, salvei uns santos
e devo admitir . . . nem foram tantos
mas, tudo bem -ninguém merece a Graça-
Passei p…