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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Primeira Lição (Lêdo Ivo)

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Na escola primária Ivo viu a uva e aprendeu a ler.
Ao ficar rapaz Ivo viu a Eva e aprendeu a amar.

POR QUE ALAGOAS SANGRA? (Jeová Santana)

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ANPUH-AL
(À memória dos 1.146 assassinatos até o fechamento deste poema)

Porque não ouviu as chaleiras sonoras de Hermeto Pascoal
Porque não sentiu os desgostos de filha de Djavan
Porque não chorou com o mundo coberto de penas de Graciliano Ramos
Porque não leu o cavalo de chamas que lia a mesma página de Jorge de Lima
Porque não dividiu a solidão do morto e da lua de Jorge Cooper
Porque não se espantou com os malabares concretos de Edgar Braga
Porque não se irmanou à bruteza ternura de Jofre Soares

Se tu viesses ver-me hoje a tardinha (Florbela Espanca

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Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços...

Liberdade (Carlos Marighella)

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Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Barro Nosso de Cada Dia (Adriana Moraes)

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Barro nosso de cada dia... Seria assim que eu falaria do cotidiano. Desde que o Criador Supremo fez Sua obra divina e com um simples sopro nas narinas fez vida, O barro chamou-se poesia.

Ensinamento ( Adélia Prado )

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Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.

'Eu Curto, Curtos' (Zema Silva Ferreira)

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Plantei felicidade
em imensos 
espaços vazios
que me deste.







 ... era a lua, Tão majestosa - dona da noite,
 A iluminar-me 
Com seu sorriso.

Tempo que foge! (Ricardo Gondim)

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Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Eu (Florbela Espanca)

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Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

O Lado Quente do Ser (Antônio Cícero / Marina Lima)

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Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor
Esse querer me ilumina

Ausência (Sophia de Mello Breyner)

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Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua

#Tuiteratura (Zema Silva Ferreira)

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(Foto: Camila Pissaia/Sesc)
#Resolvi ir caminhando pra casa. o mundo não é tão longe assim.


#Entendia todos os sinais da economia, mas não os do coração. Infartou na Paulista.


- Estes dois poemas foram incluídos na mostra Tuiteratura
que aconteceu em São Paulo.

"Eu sei, mas não devia" (Marina Colasanti)

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Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

Hino de Alagoas (Luiz Mesquita / Benedito Silva)

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Praia da Barra de São Miguel veja mais aqui:
Alagoas, estrela radiosa,
Que refulge ao sorrir das manhãs,
Da República és filha donosa,
Maga Estrela entre estrelas irmãs.

A rendeira (Adriano Espíndola)

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Na teia da manhã que se desvela
a rendeira compõe seu labirinto,
movendo sem saber e por instinto
a rede dos instantes numa tela.

Última Carta (Emanuel Galvão)

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É-me difícil escrever-te com ternura Movido assim por desgastada saudade Culpando talvez a desventura De tê-la protegido da verdade

Queria Ser (Fabio Jr)

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Queria ser...
Uma folha de papel em branco
Onde as pessoas pudessem escrever o quanto elas são felizes ou não

Vida Reinventada (José Alberto Costa)

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À noite minh'alma percorre
o infinito espaço
das lembranças perdidas.

Desconstrução (Fellipe Figueiroa)

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Criou daquela vez como se fosse a última. Fez cada job seu como se fosse o único. Pensou o dia inteiro e ficou o máximo. Mandou pro atendimento num e-mail tímido.

Construção (Chico Buarque)

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Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Desabafo do Poeta (Manoel Cícero do Nascimento)

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No mundo da teimosia
entre a tristeza e a arrogância,
é tão triste a ignorância,
tão cruenta e tão mordaz
que a própria sabedoria
de tudo sabendo tanto
não pode saber do quanto
o ignorante é capaz.


 (Do poeta Manoel Cícero do Nascimento, alagoano de Coqueiro Seco, escrito no início dos anos 60, porém, muito atual) José Alberto Costa

MULHER POR EXCELÊNCIA (Emanuel Galvão)

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Esse macho, que me vem como ladrão Me rouba essa segurança de mulher Despreza-me com esse olhar de mansidão E me devora com seus beijos, quando quer.

MUDE (Edson Marques)

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Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a
velocidade.

CONSELHO (Adilson Bispo / Zé Roberto)

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Deixe de lado esse baixo astral, Erga a cabeça enfrente o mal, Que agindo assim será vital Para o seu coração.

SONETO (Aurélio Buarque de Holanda)

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Amar-te- não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição.
Não à procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.