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Mostrando postagens de Agosto, 2019

Mulher Sem Limites (Romance de Flor) (Emanuel Galvão)

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Você já figura no meu coraçãoDescalça e sem roupa como num salãoTão bela e tão doce, mulher sem limitesQuem dera que fosse... E assim exististesDançando ao ritmo de minha pulsação.Não cabes em rótulos, por que caberias?Palavras ou versos, talvez te seduza...Então, só então, tu abras tua blusaE ardente, insana, tu permitiriasVolúpias intensas de terna paixão.Porque minha pele não te resistiriaEs bela não nego, sou tão negligenteForas apenas bela, mas és inteligenteNão encontro virtude que assim a alcanceMelhor te amar, assim de relanceSem ilusões, sem juras de amorRomance de flor, sem dor sem espinhoCaindo as pétalas, restará: odor e carinhoAssim em meu sonho, te possuo inteiraTe amando pleno, não de qualquer maneira.
Copyright © 2020 by Emanuel Galvão
All rights reserved.

*Foto by: Ana Cruz

A Reunião dos Bichos (Antônio Francisco)

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Eu vinha de Canindé  Com sono e muito cansado
Quando vi, perto da estrada
Um juazeiro copado.
Subi, armei minha rede,
Fiquei nele deitado.

Como a noite estava linda
Procurei ver o cruzeiro,
Mas cansado como estava
Peguei no sono ligeiro,
Só acordei com os gritos
Debaixo do juazeiro.

Quando olhei para baixo
Eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

O porco dizia assim:
-“Pelas barbas do capeta!
Se nós ficarmos parados
A coisa vai ficar preta...
Do jeito que o homem vai
Vai acabar o planeta.

Já sujaram os sete mares
Do Atlântico ao mar Egeu,
As florestas estão capengas,
Os rios da cor de breu
E ainda por cima dizem
Que o seboso sou eu.

Os bichos bateram palmas,
O porco deu com a mão,
O rato se levantou E disse:
– “Prestem atenção,
Eu também já não suporto
Ser chamado de ladrão.

O homem, sim, mente e rouba,
Vende a honra, compra o nome.
Nós só pegamos a sobra
Daquilo que ele come

Ela é Mar (Ademir João da Silva)

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Ela é mar
que invadiu, inundou
com corpo, alma, personalidade
política, arte
e eu, feito boca acanhada do Mundau
ante o oceano  escancarei-me!
virei ria* tresloucada e serelepe.
Também ganhei mais sal
mais gosto
diante do mundo
A minha cara? O meu cabelo?  A minha cabeça?
Um delicioso cheiro de maresia lagunar  manguesina
diversa da marítima
-virei estuário- .

É, ela é m a r
que inundou
afogou
e eu, feito boca acanhada do Mundau
ante o Atlântico
alarguei-me!
pra logo em seguida
derrengar-me, jazer lá
alagadiço meio tamponado
e ofegante por alguns momentos
imediatamente após a vaza da maré
-menos água, menos sal agora-
porém mais sabor e cor
e tão úmido e tão cheiroso.

Copyright © 2019 by Ademir João da Silva  All rights reserved. 

*substantivo femininoEsteiro ou braço de rio,
geralmente usado para navegação. ...
Costa rasa do mar com recortes profundos
(mais usada no plural):rias do mar.


**Modelo Emanuelle Batista, foto: Júnior Ferreira