Olhou aquela mulher como se fosse a única.
Deixou de lado o medo e seu jeito tímido.
Parou defronte aquele ser belíssimo.
Tocou seus lindos lábios num beijo úmido.
Ela surpreendeu-se com a atitude súbita.
Ficou, atordoada, eu diria que atônita.
Levou as mãos à face e ficou estática.
Seu rosto iluminou-se de um brilho pálido.
Beijou-a novamente, firme, forte e rápido.
Antes que parecesse um ato patético.
O que de fato era um ato homérico.
E quem observou achou até poético.
Seus pés cambalearam e ficaram flácidos.
Mas o seu coração batia tão frenético.
Nunca imaginou ser beijada em público.
Queria parar, mas era hipnótico.
Ele estava ali se sentido o máximo.
O que o assustava era um motivo estético.
E desistir então lhe parecia módico.
Os sentimentos puros que trazia tácito.
Então, declarou seu amor, fiel e impávido.
E a partir daí, deixou de ser, teórico.
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Elogio ao Desejo & Outras Palavras / Emanuel Galvão,
Maceió - AL. - Quadrioffice Editora, Quatro Barras, PR, 2015.
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