Mulher Sem Limites (Romance de Flor) (Emanuel Galvão)

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Você já figura no meu coração Descalça e sem roupa como num salão Tão bela e tão doce, mulher sem limites Quem dera que fosse... E assim exististes Dançando ao ritmo de minha pulsação.   Não cabes em rótulos, por que caberias? Palavras ou versos, talvez te seduza... Então, só então, tu abras tua blusa E ardente, insana, tu permitirias Volúpias intensas de terna paixão.   Porque minha pele não te resistiria Es bela não nego, sou tão negligente Foras apenas bela, mas és inteligente Não encontro virtude que assim a alcance Melhor te amar, assim de relance   Sem ilusões, sem juras de amor Romance de flor, sem dor sem espinho Caindo as pétalas, restará: odor e carinho Assim em meu sonho, te possuo inteira Te amando pleno, não de qualquer maneira. Copyright © 2020 by Emanuel Galvão All rights reserved. *Foto by: Ana Cruz    

Seol (Jorge Felix de Carvalho/Jürgen Von Felix)


Elih se encontrava cansado, triste. Solitário. Diante das dificuldades que enfrentava, não conseguia ver solução.
Atolado de processos, relatórios, pareceres e prazos, decidiu que não dava mais! Tentou pensar na música, nas artes, nos sonhos. Lembrou com pesar dos seus antepassados. Tentou esperança na lembrança dos descendentes.
Dai, inevitavelmente tornaram-se mórbidos os seus pensamentos, dando uma força descomunal à imaginação nefasta.
Elih se encontrava mesmo muito sombrio, desolado!
Então, saiu do escritório, mas antes deixou todos os papéis em ordem. Organizou tudo, cada coisa no seu devido lugar. Era como se estivesse despedindo-se para sempre daquela cena. Pegou sua pasta, vestiu seu paletó, e se foi fechando a porta e em seguida jogando a chave no fundo da pasta, como se não mais fosse precisar dela.
Andou a esmo em meio a multidão barulhenta, mas só conseguia ouvir uma única voz em sua mente. Olhou para a varanda de um prédio de esquina. E num hipnotizante caminhar subiu cada degrau em direção aquela varanda.
Quem o via passar nem imaginava o que ele sentia.
Não sabiam dos seus desejos, dos seus sonhos, muito menos das suas frustrações, dos seus medos.
Na verdade isso não fazia a menor diferença.
Ninguém se importava, ninguém se importaria.
Enfim, conseguiu sem problemas chegar até a varanda.
Estava suado.
Respirava ofegante.
De lá de cima vislumbrou aquela gente apressada.
De la de cima vislumbrou a vida.
Porém, isso não foi o bastante. Elih tinha tomado uma decisão. Então, fez uso de uma banqueta que se encontrava ali, verificou que o laço estava bem apertado no pescoço... largou a maleta. Tirou o paletó.
A essa altura alguém o percebeu e imediatamente entendeu o que estava acontecendo.
E enquanto Elih num momento de agonia tentava aliviar o pescoço, o socorro chegou frio, gelado com o colarinho branco. O garçom lhe trouxera o Chopp mais gelado que já bebeu. E Elih finalmente conseguiu se livrar do laço de sua gravata.
E a cada gole do seu chopp gelado, sentia que morria para os infortúnios desta existência. 




 *Seol - Nas línguas originais, a Bíblia usa a palavra hebraica sheʹóhl e sua equivalente grega haí·des mais de 70 vezes. As duas se relacionam com a morte. Algumas traduções da Bíblia vertem-nas por “sepultura”, “inferno” ou “cova”. No entanto, na maioria das línguas não existem palavras que transmitam o sentido exato desses termos hebraico e grego. De modo que a Tradução do Novo Mundo usa as palavras “Seol” e “Hades” nas notas.



Comentários

  1. Gratidão por postar o meu escrito. Quando o escrevi estava pensando no Setembro Amarelo, mês escolhido para prevenir o suicídio, e também nas pressões do dia a dia, que o nosso modelo social nos oferta kkkkkk

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  2. Muito bom Jorge, principalmente o final. Parabéns.

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