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Mostrando postagens de Novembro, 2018

Timidez - Eu Que Não Sei Falar de Amor (Emanuel Galvão)

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  Meu corpo deseja teu calor Volúpia que me faz enlouquecer Com fúria e sem nenhum pudor E a certeza de não te esquecer Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você As flores exalam seu olor Antes que possam fenecer O sol fornece seu calor Antes da noite o esconder  Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Talvez haja um pouco de temor Mas preciso então esclarecer Revelar-me parece libertador Senão, sou capaz de padecer Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Das paixões sou colecionador Mas você me fez amolecer Com seu jeitinho encantador E beleza que não posso descrever Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Escrever é algo desafiador Mas que se pode aprender Amante não tem procurador Ninguém pode substabelecer Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Menina te falo com muito ardor Para você jamais me esquecer Ser poeta ou ser um trovador Nem se compara em te satisfazer Eu que não sei falar de amor Resolvi es

Contágio (Bruna Lombardi)

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Feroz em nós uma paixão de novo nos ameaça nos faz vibrar, o sangue flui sobe no rosto de repente a gente fica disposto a tudo e tudo é pouco não importa que essa loucura não tenha alívio a gente muda, respira de outro jeito arfa no peito sempre uma pressa sempre aquela vontade sozinha fico metade depressa me abraça, uma saudade que dói, uma coisa que arrebenta e não se agüenta mais. A gente se entrega ao risco arrisca a pele, perde o rumo no prazer dessa desorientação A gente quer explodir e não pode quer se conter e não sabe quer se livrar do jugo da paixão mas não quer que ela acabe

Tô (Tom Zé)

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Tô bem de baixo prá poder subir  Tô bem de cima prá poder cair Tô dividindo prá poder sobrar Desperdiçando prá poder faltar Devagarinho prá poder caber Bem de leve prá não perdoar Tô estudando prá saber ignorar Eu tô aqui comendo para vomitar Eu tô te explicando Prá te confundir Eu tô te confundindo Prá te esclarecer Tô iluminado Prá poder cegar Tô ficando cego Prá poder guiar Suavemente prá poder rasgar Olho fechado prá te ver melhor Com alegria prá poder chorar Desesperado prá ter paciência Carinhoso prá poder ferir Lentamente prá não atrasar Atrás da vida prá poder morrer Eu tô me despedindo prá poder voltar Ouça a música.

Da Calma e do Silêncio (Conceição Evaristo)

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Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem, quero mascar, rasgar entre os dentes, a pele, os ossos, o tutano do verbo, para assim versejar o âmago das coisas. Quando meu olhar se perder no nada, por favor, não me despertem, quero reter, no adentro da íris, a menor sombra, do ínfimo movimento. Quando meus pés abrandarem na marcha, por favor, não me forcem. Caminhar para quê? Deixem-me quedar, deixem-me quieta, na aparente inércia. Nem todo viandante anda estradas, há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra.  “Poemas da recordação e outros movimentos”.  Belo Horizonte: Nandyala, 2008.

O Acendedor de Esperanças da Rua (Emanuel Galvão)

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Basta de verdades baratas.  Arrancai o ranço do coração!  As ruas são nossos pincéis  e paletas as nossas praças.  No livro do tempo  ainda não foram cantadas  as mil páginas da revolução. Para a rua, futuristas,  tambores e poetas!                                                                 Vladimir Maiakóvski  *Para Letícia Sabatella & Jonathan Silva La vem o acendedor de esperanças da rua Este mesmo que vem com sua inquietude, Seus sonhos, suas dores, a juntar-se a tua, A transformar, utopia e poesia, em atitude. Um, dois, três corações, acende e continua Outros mais a acender, inadvertidamente, A medida que as trevas, rasteira insinua Uma estupidez humana, viral e indecente. Triste ironia atroz que Jorge nos apresenta: O cordeiro inocente a apostar em lobos, Enquanto o covarde, da escolha, se isenta. A insídia do fascismo, se ergue e continua, Na ilusão do apelo patriótico e seus arroubos. Fez florescer, acendedores de corações