Com Fúria e Raiva (Sophia de Mello Breyner Andersen)



Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Comentários

POSTAGENS MAIS VISISITADAS

Gritaram-me Negra (Victoria Santa Cruz)

Eu não gosto de você, Papai Noel!... (Aldemar Paiva)

Eu Te Desejo (Flávia Wenceslau)

Olhos (Ademir João da Silva)

'Eu desejo que você consiga...' (Marla de Queiroz)

A FLOR E A FONTE (Vicente de Carvalho)

Elogio ao Desejo (Emanuel Galvão)

Da Calma e do Silêncio (Conceição Evaristo)