VELHA ROUPA DESBOTADA (Emanuel Galvão)



Vendo-a assim, nem parece confortável
Surrada da vida até já desbotou
Feito as pessoas puras, já amaciadas
Pelos dissabores de sua pureza inextirpável
Trazem o jeito ameno, de quem muito amou.

São peças comuns, de beleza discreta
Mas, pôxa vida, como vestem bem!
De tanto usadas não são nem notadas
Feito o jeito doce que uma pessoa tem.

Hei você! Que se parece, com uma velha roupa
Comum, companheira, fiel e mal-amada
Talvez, até se esqueçam de te fazerem festa
Mas, saibas contigo a felicidade
De acolher, aquecer, tocar e proteger
A nudez: do âmago ao corpo de alguém.

Copyright © 2007 by Emanuel Galvão
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