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Mostrando postagens de Novembro, 2012

AQUARELA (Dydha Lyra)

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O caos interior, silenciosamente, denuncia: acabou.
No colo,
os bilros do destino jogados,
rapidamente, sobre a almofada da vida,
pontilhada, sem arremates,
sangram sobre o linho e suas tramas.

O sonho e nós, distantes e tristes,
somos o desenho que persiste
da doce ilusão do querer.

Num vazio imenso,
descolorimos nossas vidas,
qual aquarela à luz contínua,
esmaecendo as cores,
(que juntos escolhemos um dia)
sem desamor, mágoa ou dissabores!
Copyright © 2012 by Dydha Lyra
All rights reserved.


QUANDO SEXO NÃO É INTIMIDADE (Marla de Queiroz)

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Intimidade não se consegue numa noite de sexo. Por maior que seja a troca, o prazer, a peripécia, o orgasmo. Sexo por sexo poderá ser tão saudável quanto sexo com amor, mas não promove intimidade. A carícia de quem ama alimenta os seus campos sutis, sua alma; a carícia de quem vivencia apenas o desejo alimenta o corpo. Penetrar um corpo com amor, é ter vontade de perder-se e a confiança de que se estará seguro nesta entrega de todos os sentidos. Poderá haver tanta poesia numa relação quanto em outra, mas intimidade não. Poderá haver tanta diversão e desejo em uma como em outra, mas intimidade só se consegue com o antes e o depois em consonância com o durante. Sexo sem amor pode ser tão gostoso quanto com. Mas poder dizer um EU TE AMO sonoro com toda a força do teu coração naquele momento em que alguém se funde a você, é um orgasmo-bônus que só a intimidade proporciona...

*veja mais da autora em seu blog: transFLORmar-la.Click aqui.

SOB O SIGNO DA SENSUALIDADE (Emanuel Galvão)

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Eu sou do signo de escorpião E sei que sou regida pela lua* Sou de fases Que digam os rapazes Pensem os homens Esses mesmos que por vezes Permito que me amem Mas, que sempre me consomem.

MAR SEM FIM (Emanuel Galvão)

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Foz do rio São Francisco *para Ana & Alex
                      "Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.                   Mas ninguém chama violentas às margens                          que o comprimem."                                                         Bertolt Brecht.
Da nascente do colo meu Escorreu pequenininho Quando vi ele cresceu E seguiu o seu caminho.

Riacho levado ele era Arteiro e cristalino Pureza, inquieta quimera Era assim o meu menino

À PRETEXTO (Juliano Beck de Oliveira)

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“A palavra oral não dá rascunho” Manoel de Barros

... não se deixe levar pelo meu verso. Não leve tão a sério a minha prosa. Não me leve a mal. Se finjo ser um bom escritor, eis mais um bom motivo. Não acredite em escritores, não os leve a sério, o que eles querem é te levar para a cama, mirar na tua pele folhas alvas e te engravidar de livros. Marques um acaso comigo e dir-te-ei, gaguejando e tímido, porém sem desviar o olhar, todas as verdades que desejas ouvir. Te falo ao pé do ouvido, suando frio e com o coração acelerado. Mas não leia a sério nenhuma palavra da minha escrita. Deixe que eu te toque com as mãos, mas jamais admita que uma só palavra minha penetre em teu ser, pois assim estará corrompida para sempre, e quem o disse foi Neruda, um mentiroso mais sincero do que eu. Conceda apenas o afago dessas calejadas mãos de operário semântico, de modo que permanecerá intacta em sua pureza de menina doce. Perdoa minhas orações, cesse aqui a leitura, vá para a cama sozinha e deixe fecha…

ELEGIA (AUGUSTO DE CAMPOS)

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Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la Eu sou um que sabe.
*ouça a música

PARA QUE LEVAR A VIDA TÃO A SÉRIO... (Bob Marley)

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Para que levar a vida tão a sério se ela é uma incansável batalha da qual
jamais sairemos vivos ?!