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Mostrando postagens de Novembro, 2014

A Caixa de Brinquedos (Rubem Alves)

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  A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne". Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "

Um dia atrás do outro (Rita de Cássia Tenório Mendonça)

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* Os dias vêm se sucedendo numa cadência que não me diz respeito. Os dias nascem e se encerram com o mesmo colorido, o mesmo calor ameno e a mesma penetração de luz. Nada muda. A vida parece não caminhar em meu ritmo. Sim, sei que ela passa. Sei sim. Vejo as marcas da vida na pele de minhas mãos e ao redor de meus olhos. Odeio esses sinais do tempo! Não poderiam ser outras, em locais menos visíveis, essas marcas do que vivi? Não poderia a aridez da idade se concentrar toda num lugar só lá na sola de meu pé esquerdo, como um arremate bem feito, onde eu só pudesse vê-lo com muita dificuldade, em contorsão? Ou por que não no avesso de minha pele, lá pela nuca, perdido entre os cabelos em costura de fio invisível? Construí minha vida, estou certa. Sou inquieta demais para ficar na janela escutando música. Mas nos últimos tempos os acontecimentos parecem alheios a meu ritmo. A vida parece ter me esquecido em algum cantinho sem graça, em alguma estrad

Sol(riso) Adriana Moraes

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Você queria companhia Ele queria par O Sol concorre c om teu sorriso E perde.  Covardia! * Copyright © 2014 by Adriana Moraes      All rights reserved.