3ª Contingência Amorosa (Arriete Vilela)


Quero-te assim:
á distância.
Para dizer-me de ti, suavemente.
Ou negar-te,
quando tua lembrança doer
nas pitangueiras da minha infância,
pois insistes em colher os frutos
antes da estação.

Quero-te assim:
sem notícias.
Para que meu riso não te acolha
nem flagres em mim a alegria
de grande circo que, uma noite,
vivi no teu corpo.

Quero-te assim:
à deriva.
Para que, ao te buscar, o meu desejo
navegue à toa, naufragando aqui e acolá,
pois tua pele não tem porto,
nem cais,
nem âncora.


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